Nos EUA, maior empresa do setor aposta na legalização federal da maconha

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A legalização da maconha no estado da Califórnia, com todo o seu tamanho e representatividade, contribui para que a erva seja legalizada no âmbito federal. É isso o que pensa o brasileiro Daniel Yi, vice-presidente de comunicação corporativa da MedMen, a maior empresa do setor canábico, nos EUA. As informações são da RFI.

A Califórnia atrai olhares do mundo por ter legalizado a maconha para uso recreativo no início de 2018. A medida foi aprovada em referendo realizado em novembro de 2016. Outros estados como Colorado, Washington, Oregon e Alasca já haviam saído na frente, mas nenhum tem a representatividade, o tamanho e a população californiana.

Se fosse um país, a Califórnia seria a sexta economia do mundo, por isso os holofotes quando o assunto é a cannabis, legalizada em primeiro de janeiro. Foi assim há 22 anos, quando o estado foi o primeiro a liberar a droga para o uso medicinal. A indústria cresce a passos largos, já com faturamento na casa dos bilhões de dólares. A curiosidade por um novo mercado em ascensão atraiu Daniel Yi.

“Nessa indústria de maconha nos Estados Unidos, um ano parece 10, porque tudo muda muito rápido. Nos últimos dois anos e principalmente agora com a Califórnia legalizando para uso adulto, em termos de comércio e inovação que tem nesse espaço, é super fascinante”, explica o brasileiro de origem coreana.

 Nos EUA, maior empresa do setor aposta na legalização federal da maconha

Daniel Yi, vice-presidente de comunicação corporativa da MedMen, maior empresa do setor de maconha dos Estados Unidos.

Daniel é vice-presidente de comunicação corporativa da MedMen, a maior empresa americana do setor, com lojas e bases de cultivo da erva nos estados da Califórnia, Nevada e Nova York. Daniel nasceu na Coreia do do Sul, mas mudou ainda criança para o Brasil. Aliás, diz que se sente mais brasileiro do que coreano. Veio para os Estados Unidos depois de adulto. É formado em economia com mestrado em jornalismo. Há cerca de um ano e meio, prestes a completar 50 anos, sem saber nada sobre essas nova indústria, resolveu apostar.

“Vai ser quase impossível parar esse movimento, essa trajetória. A gente acha que em cinco, sete anos, em nível federal a maconha será legalizada, no Canadá também. Isso vai começar uma conversa global sobre maconha e se você pensar racionalmente a maconha não é muito diferente do álcool.”

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Maior empresa americana do setor

A MedMen vende mais de mil produtos diferentes – dezenas de tipos da erva, vaporizadores, comidas como biscoitos e sorvete, produtos de beleza, para dores em geral, uma infinidade de opções. As lojas já existiam e vendiam apenas para quem tinha prescrição médica, mas desde primeiro de janeiro foram abertas ao público em geral e a venda é liberada para pessoas com mais de 21 anos apresentando identidade ou passaporte. A MedMen tem por enquanto sete lojas com licença para vender produtos na Califórnia, mas nos próximos seis meses pretende abrir pelo menos mais três.

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“A Califórnia fez o sushi ser popular, a yoga também, começou o movimento ambiental, o movimento gay. Hollywood molda o mundo. Esse ano, a Califórnia legalizando a maconha vai ter um efeito positivo para o mundo inteiro. Você pode ver que é tudo licenciado, regulamentado, sabe o que está comprando. Acho que daqui a um ano o pessoal vai ver como está funcionando aqui, que é muito melhor ter um mercado legal do que traficantes de drogas.”

Mercado em expansão

Os clientes, de acordo com Daniel, quadruplicaram desde o dia primeiro de janeiro. A média de gasto por cliente aumentou mais de 30%. Os preços de um grama vão de US$ 15 a 30, dependendo da qualidade. O máximo permitido por cliente são 28 gramas. Já os produtos têm os mais variados preços e precisam respeitar o limite máximo de THC, o componente psicoativo da maconha. As lojas parecem uma boutique de luxo, com Ipads mostrando os preços e as indicações de uso de cada item. Em cima de cada preço são aplicados dois impostos – estadual (15%) e municipal (9% em Los Angeles), totalizando 24%.

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As leis que regem essa novíssima indústria são estaduais. Por enquanto, a nível nacional o governo considera que a planta é uma substância ilegal e a classifica no mesmo nível da heroína e da cocaína. O procurador-geral americano, o ultraconservador Jeff Sessions, reverteu inclusive na semana passada três decisões do governo de Barack Obama, que definiam uma política de não-interferência nas leis estaduais referentes ao uso de maconha.

Mas, Daniel acredita que nada mais radical poderá acontecer já que o próprio Departamento do Tesouro dos Estados Unidos estima que até 2020 a Califórnia movimentará sozinha mais de US$ 7 bilhões com a venda de cannabis e arrecadará US$ 1 bilhão de impostos.

“Mesmo que a gente não concorde com o ponto de vista de Jeff Sessions, claro que a gente não pode ignorá-lo. Mas ele é uma pessoa só, mesmo sendo o procurador geral do país. Na semana passada, ele falou que vai deixar as decisões para os procuradores estaduais, pois mesmo que ele tenha um ponto de vista diferente, ele entende que a realidade política nesse país também é diferente.”

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