Milhares marcharam pela legalização da maconha e o fim da intervenção no Rio

marcha reune 15 mil pessoas no rio Milhares marcharam pela legalização da maconha e o fim da intervenção no Rio

Neste sábado (5) diversas cidades do Brasil receberam a Marcha da Maconha. No Rio, o protesto foi pacífico e aconteceu no início da tarde em Ipanema, na Zona Sul, onde reuniu mais de 15 mil pessoas. Confira abaixo em fotos e vídeos como foi a Marcha na Cidade Maravilhosa.

Os manifestantes começaram a se reunir por volta das 14h20 no Jardim de Alah. Com cartazes e instrumentos musicais, antes das pessoas saírem em marcha pela orla de Ipanema, a concentração do ato disponibilizou um microfone para a população expressar suas vontades, pedindo o fim da guerra às drogas e a legalização da maconha no país.

“A guerra à maconha, na verdade, é uma guerra aos pobres e aos negros que vivem nas favelas. São apenas nelas que ocorrem as grandes operações policiais que matam inocentes”, disse o vereador Renato Cinco (PSOL).

Rodrigo Mattei, um dos organizadores do ato e integrante do coletivo Movimento pela Legalização da Maconha, explicou à EBC, que este ano a marcha também se posiciona contra a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

“Toda medida como essa aparece como uma medida emergencial”, disse. “A medida emergencial que o Brasil precisa é a legalização das drogas”, completou ele, que vê a legalização da maconha como um passo para a legalização de outras drogas. “A arrecadação com impostos aumentaria, e a gente pararia de ter só o ônus e passaria a ter um bônus também.”

Para Mattei, apesar de os argumentos pró-legalização serem repetidos há alguns anos, eles enfrentam interesses econômicos e moralismo como barreiras. “Há uma moralização, que vem de uma campanha feita desde o início da proibição das drogas no século 20. Tem essa questão moral, mas tem também uma questão econômica.”

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#PraCegoVer: Fotografia da concentração de manifestantes no Jardim de Alah, com movimentação modesta a marcha já reunia mil pessoas com cartazes e balões verdes na orla de Ipanema, com a avenida ainda livre. Créditos: Dave Coutinho.

Para Kathleen Feitosa, da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas – RENFA, o fim da guerra às drogas também reduziria o encarceramento de mulheres e permitiria um maior combate ao preconceito contra usuárias de drogas.

“A mulher, quando delinque, ela rompe não só com a lei penal e o código que está escrito, ela rompe com a expectativa da sociedade sobre ela, porque não é dócil e não obedeceu às regras”, destacou.

“Temos que legalizar a maconha, temos que deixar de criminalizar o usuário e temos que repensar também este sistema penitenciário que se tornou a base do crime no Brasil”, afirmou o ex-ministro de Meio Ambiente Carlos Minc.

“A gente vive o tempo da legalização do mundo. A legalização acontece em vários países, aqui no Brasil a proibição não é mais absoluta”, disse Emílio Figueredo advogado da rede Reforma e da Marcha da Maconha, explicando que mães como Margarete Brito e outras pessoas, mais de 15, já podem cultivar sua própria maconha em casa. “Essa proibição não é mais absoluta, mas estamos aqui hoje não para derrubar a proibição e sim construir a legalização. Uma legalização com função social, que seja feita para os brasileiro”. 

Para Figueredo, corremos o risco de repetir os mesmo erros de 500 anos, de sermos colonizados pelos gringos. “Deles virem aqui nos oferecem espelhinhos e miçangas levarem a nossa maconha e devolverem óleo caro. Nós precisamos ter uma legalização para o Brasil, com função social e que realize a justiça social por aqui, uma legalização que inclua quem queira participar, que não exclua quem já está comercializando cannabis” e completa:  “A maconha deve servir para os brasileiros e não para os estrangeiros.”

Também participaram da manifestação familiares de pessoas com doenças graves que podem ser tratadas com derivados da Cannabis sativa e que defendem a legalização pelo menos do uso medicinal da erva.

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#PraCegoVer: Fotografia da ala pelo uso medicinal / terapêutico da maconha, onde seguem à frente alguns familiares empurrando os carrinhos com crianças pacientes de cannabis medicinal, enquanto outros seguram uma faixa roxa onde está o desenho da folha da maconha e os nomes das doenças tratadas com a erva e escrito “Maconha. Questão de Saúde. A vida não espera”. Créditos: Dave Coutinho.

A Marcha da Maconha é realizada anualmente em diferentes cidades brasileiras desde 2002, mas nas suas primeiras edições os manifestantes tiveram que ir à Justiça para poder se expressar, porque a Polícia considerava sua mensagem apologia ao crime. Além da legalização da maconha, este ano foram também expressadas mensagens críticas à intervenção na área de segurança do Rio e em memória de Marielle Franco, vereadora da cidade assassinada em março passado junto com seu motorista.

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Presença certa em edições anteriores, e nesta não seria diferente, o Delegado da Polícia Civil no Rio, Orlando Zaccone fez questão de ressaltar, durante sua fala, “hoje existem centenas de policiais civis e militares, em todo o Brasil, que são a favor da marcha da maconha, que são a favor da legalização da produção, do comércio e do consumo de todas as drogas. Que são a favor da mudança dessa política que mata negros e pobres de farda e sem farda”.

Explica o delegado, lembrando uma entrevista de Marielle Franco, que “não existe um local da estrutura do estado brasileiro que tenha mais negros que a polícia militar”, fala Zaccone que complementa: “então quando se constrói uma guerra que coloca de um lado negros, pobres de farda matando negros e pobres nas favelas, isso tem interesse político, genocida e cruel”.

“Quantos mais vão precisar morrer até que essa guerra acabe?” – Marielle Franco

Esta é a 18ª edição do ato na cidade e o tema deste ano foi “O Rio não precisa de intervenção, mas de legalização”. A organização esperava reunir ao menos dez mil pessoas, com mais de 12 mil pessoas tendo confirmado presença no evento criado no Facebook. A PM não quis fornecer uma estimativa do público presente.

Em conversa com os advogados Dr. André Barros e Emílio Figueredo, ambos informaram uma média de 15 mil pessoas presentes durante a 18ª edição da Marcha da Maconha, no Rio.

Confira abaixo como foi a Marcha da Maconha, através dos clicks de Ique Larica. Se você fotografou ou filmou a Marcha, envie o conteúdo para contato@smokebuddies.com.br.

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Leia também: Marcha da Maconha 2018: agenda dos atos pela legalização no Brasil

#PraCegoVer: Fotografia da ala pelo uso medicinal / terapêutico da maconha, onde seguem à frente alguns familiares empurrando os carrinhos com crianças pacientes de cannabis medicinal, enquanto outros seguram uma faixa roxa onde está o desenho da folha da maconha e os nomes das doenças tratadas com a erva e escrito “Maconha. Questão de Saúde. A vida não espera”. Créditos: Dave Coutinho.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.