MARCHA DAS FAVELAS PELA LEGALIZAÇÃO

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A violência nunca foi tão lucrativa no Brasil, agora, além de enriquecer os interessados na mercenária guerra às drogas, como os fabricantes de armas e munições, a tirania do governo também se aproveita das favelas como palanque para o desfile de suas forças armadas. A voz dos jovens das comunidades do Rio de Janeiro não irá calar diante mais esse abuso de um governo ilegítimo. Saiba mais sobre o tema no texto do advogado e ativista André Barros.

A Marcha das Favelas pela Legalização é uma iniciativa de jovens moradores das favelas. Conscientes, organizados e com disposição, resolveram trazer o foco do debate para essas políticas de segurança pública chamadas até por seus próprios autores de “enxuga gelo”. Essa juventude sabe muito bem que é uma política racista e que o racismo é uma política de Estado no Rio de Janeiro e no Brasil.

Sabem que a guerra não é contra as drogas, mas sim contra negros e pobres, pois já perderam muitos amigos, que foram presos ou mortos. Já sofreram todos os tipos de esculacho e violência por fumarem um baseado, fatos que não ocorrem nas ditas “áreas nobres” do Estado.

Trata-se de um mercado bilionário, onde milhões escorrem pelos morros do Estado. Todo esse capital não fica na favela nem com seus vendedores, chamados de traficantes, mas que não passam de escravos do tráfico. A política repressiva é racista, pois está concentrada no varejo das favelas. A compra e venda de maconha ocorre em todas as classes sociais e cada uma delas tem seus vendedores e consumidores.

Acreditar que a classe média sustenta o tráfico armado de maconha nas favelas comprando drogas ilícitas é a mesma coisa que sonhar com a cegonha ou com o papai noel. Cada classe tem seus vendedores e compradores. O lucro desse enorme mercado é que fica apenas com uma classe social, a dos milionários e bilionários. A ilegalidade faz com que o mercado seja muito concentrado, quase monopolizado. A maconha no Rio de Janeiro, por exemplo, vem quase toda do Paraguai e é consumida por todas as classes sociais.

O varejo no morro já recebe a maconha endolada, repartida em pequenos invólucros feitos à mão. O sistema penal nem procura saber como é a distribuição desse mercado. Quando, por algum acidente de percurso, toneladas de cocaína são encontradas em helicópteros ou jatinhos em pousos e decolagens em fazendas de poderosos milionários, nada acontece, ninguém fica sabendo o resultado de grandes escândalos que, com o tempo, vão sendo blindados e esquecidos pelas mídias oficiais.

Em tempos em que as forças armadas são usadas eleitoralmente pelo ilegítimo e golpista governo Temer, a Marcha das Favelas pela Legalização traz a ilegalidade racista para o debate. Nenhuma mãe quer ver seu filho portando um fuzil ou pistola como escravo do tráfico, nem na polícia ou no exército. Essa guerra racista de jovens negros e pobres, uns contra os outros, só interessa ao mercado de venda de armas e munições. O Rio de Janeiro está esgotado dessa guerra racista, mas ainda está emperrado em preconceitos e discriminações. É a ilegalidade que sustenta o tráfico de drogas dos milionários. A paz não interessa ao mercado de armas e munições e da produção e consumo da violência. A Marcha das Favelas pela Legalização traz ao debate as verdadeiras vítimas de toda essa violência e a legalização da maconha deve ser o primeiro passo. Uma bandeira concreta, já que o mundo vive um processo de legalização da erva, que aqui, além de não avançar, parece caminhar para trás.

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Revisão Marta Bonimond

 MARCHA DAS FAVELAS PELA LEGALIZAÇÃO

Sobre André Barros

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros e terceiro suplente de Deputado Estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro.