Cultivo de maconha para uso medicinal tem votação adiada no Senado

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Apesar de todas as pesquisas científicas favoráveis existentes, o tema da maconha ainda é tabu no Brasil, até mesmo entre os parlamentares. A votação do projeto que regulamenta o cultivo de cannabis para uso medicinal foi adiada para vista coletiva da CAS. As informações são da Agência Senado.

O senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) pediu vista ao Projeto de Lei do Senado 514/2017, que libera o uso medicinal da maconha. A matéria deve voltar à pauta da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) na próxima semana. Depois da CAS, o assunto será votado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de onde segue para votação em Plenário. Se aprovado, será enviado para a Câmara dos Deputados.

Leia mais: Liberação do cultivo de maconha para fins medicinais pode ser aprovada no Senado

Um pedido do senador Waldemir Moka (MDB-MS) — favorável à proposta — transformou o pedido de Amorim em vista coletiva. O projeto relatado pela senadora Marta Suplicy (sem partido-SP) descriminaliza o semeio, o cultivo e a colheita de Cannabis sativa para uso terapêutico pessoal, em quantidade não maior que a suficiente ao tratamento segundo a prescrição médica.

Marta leu seu o relatório favorável à liberação. Depois pediu aos senadores que realmente votem na semana que vem, levando em conta o pedido de famílias e pacientes que reconhecem o benefício da Cannabis no tratamento médico de muitas enfermidades, como autismo, epilepsia, Alzheimer, Parkinson, nas dores crônicas e nas neuropatias. O texto reforça que os tratamentos reduzem o sofrimento não só dos pacientes, mas também dos familiares.

Assista a votação realizada (28) na CAS – Comissão de Assuntos Sociais:

Avanços científicos

No relatório, a senadora lembra que “o sistema [endo]canabinoides participa ativamente da regulação de funções cognitivas superiores (aprendizagem, memória), da resposta ao estresse e à dor, da regulação do sono, dos mecanismos de recompensa, da ingestão de alimentos, dos movimentos e do controle postural”. Além disso, a Cannabis “regula a função de numerosas ligações neuronais (sinapses) e tem função moduladora nos sistemas imunológico, cardiovascular, gastrintestinal e reprodutivo”.

O substitutivo da senadora também altera a Lei de Antidrogas (Lei 11.343, de 2006) e passa a liberar o acesso à Cannabis para associações de pacientes ou familiares de pacientes criadas especificamente com esta finalidade. No relatório lido nesta terça na CAS, Marta defende que o tema não pode ser relegado a uma discussão ideológica ou política.

— Mais que tudo, é preciso que tenhamos empatia e nos coloquemos no lugar do outro. É assim que defendemos a verdadeira essência do cuidado em saúde, que é mitigar o sofrimento humano — aponta.

#PraCegoVer: fotografia (de capa) dos membros da Comissão de Assuntos Sociais em reunião, com seis deles sentados de costas para a câmera, enquanto observam a senadora Marta Suplicy que fala ao fundo. Créditos: Pedro França – Agência Senado.

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