Maconha leva a risos e conversa fiada, segundo OMS

maconha causa risos e conversas fiadas segundo oms Maconha leva a risos e conversa fiada, segundo OMS

Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, a maconha é uma droga relativamente segura que não causa problemas significativos, provocando apenas “euforia, risos e conversa fiada”.

À medida que cada vez mais lugares pelo mundo estão se movendo para legalizar a maconha para fins medicinais e recreativos, parece sensato da parte da principal autoridade de saúde no mundo publicar a verdade sobre a segurança da maconha. E foi exatamente isso que fez a Organização Mundial da Saúde (OMS) em reunião na Suíça para conduzir uma revisão de toda a planta de cannabis, não apenas compostos específicos. Agora, o Comitê de Dependência e Droga da agência publicou um novo relatório, chamando a maconha de “uma droga relativamente segura” que não causa problemas de saúde significativos, apenas “euforia, risos e conversa fiada”.

Semelhante aos padrões proibicionistas dos Estados Unidos da América, a Organização Mundial da Saúde nunca foi realmente amiga da maconha. A agência ainda considera a erva uma substância perigosa nos mesmos nível que a heroína. Mas se a revisão mais recente tiver alguma influência, as autoridades de saúde do mundo serão obrigadas a rever seu posicionamento.

A maconha não só é segura, de acordo com o último relatório, como também não está associada a casos de overdoses fatais.

Referenciando um mega estudo publicado no ano passado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina, que não encontraram evidências de overdoses fatais de maconha, a agência admite que a planta de maconha provavelmente não deixará corpos na esteira do consumo generalizado.

A revisão continua a tocar no tema da cannabis e seu impacto no sistema cardiovascular. Ainda há muita confusão sobre os prejuízos da saúde vascular nos fumantes de maconha. Algumas evidências mostram que não há risco significativo, estando os usuários de maconha sujeitos a uma pressão arterial um pouco maior do que os não usuários. No entanto, a agência diz que isso se ajusta ao longo do tempo.

“Com a exposição repetida, a tolerância se desenvolve para esses efeitos e, em alguns casos, ocorre a redução da pressão arterial e da frequência cardíaca abaixo da linha de base”, diz o relatório.

No que diz a respeito à maconha causar ataques cardíacos e derrames, a OMS diz que as evidências que apontam para essa loucura são “fracas”, podendo haver riscos apenas no ato de fumar a erva, uma vez que outros métodos de consumo parecem não causar problemas.

“Quando novos modos de distribuição de medicamentos que não o fumo se tornarem mais amplamente disponíveis (por exemplo, vaporização, administração sublingual ou oral), associações entre o consumo de cannabis e eventos cardiovasculares podem se tornar menos pronunciadas, ou mesmo ausentes”, segundo o relatório.

Em pequenas quantidades, “o consumo de cannabis melhora muito a dinâmica das vias aéreas e a capacidade expiratória devido aos efeitos broncodilatadores do Delta9- THC”. Mas isso somente se o usuário não fumar mais que cinco baseados por mês. Taxas mais altas de consumo através do fumo podem produzir problemas respiratórios. Felizmente, mais métodos de consumo diferentes do fumado estão surgindo no cenário da cannabis. É previsível que os comestíveis se tornem a próxima grande sacada do mercado legalizado, o que nada prejudica o sistema respiratório, de acordo com funcionários da OMS.

“O aumento do uso de vaporizadores e outros modos de consumo que não o fumado provavelmente reduzirá as complicações respiratórias”, diz o relatório.

Com relação ao declínio da função cognitiva que alguns proibicionistas geralmente dão como motivo para deixar a erva debaixo da terra, a OMS não encontrou “nenhuma associação entre o uso de cannabis e a redução da função cognitiva”. A agência de saúde acrescenta que isso significa que “os efeitos do uso de cannabis na cognição são reversíveis”, não permanentes.

O relatório cobre alguns tópicos, desde a saúde mental até dirigir sob influência. A OMS admite que dirigir chapado é um risco menor do que dirigir bêbado, e que “o risco relativamente baixo pode ser devido aos usuários de cannabis superestimarem seu nível de comprometimento e usarem estratégias para compensar os efeitos da cannabis em seu desempenho de condução”.

Mas no geral, as únicas reações adversas que a planta de cannabis provoca nos seres humanos são “euforia, riso e conversa fiada”, diz o relatório.

“É um estimulante de apetite e pode promover boca seca e tontura, bem como aumentar as percepções visuais, olfativas e auditivas”, disseram funcionários da OMS. “O avermelhamento nos olhos ocorre devido à vasodilatação dos vasos sanguíneos. A percepção de tempo pode ser alterada e alguns usuários podem experimentar reações de ansiedade e pânico.

A intoxicação por cannabis pode prejudicar a atenção e a função da memória de curto prazo e pode precipitar reações psicóticas em indivíduos vulneráveis. Os efeitos farmacológicos da cannabis estão sujeitos à tolerância após exposição repetida e, portanto, muitas reações marcantes são observadas em pessoas que consomem esporadicamente, mas reduzidas em usuários frequentes”.

Esta não é a primeira vez que a OMS publica um relatório favorável sobre a cannabis. Em dezembro passado, a agência disse que o canabidiol é um composto da maconha que não vicia e pode ter valor terapêutico contra as convulsões decorrentes da epilepsia e condições relacionadas.

Leia mais: OMS reconhece o valor terapêutico do CBD e afirma que composto não vicia

Por fim, deixamos a questão. Se agora você acha que a cannabis é segura, então por que mantê-la proibida?

As informações são do Cannabis Now, com tradução e adaptação da Smoke Buddies.

#PraCegoVer: fotografia de capa de um grupo de 4 pessoas, onde uma delas consome maconha enquanto as outras riem, conversam e jogam. Créditos da foto: Drug Policy Alliance.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.