Maconha legal vendeu menos que o esperado no Uruguai

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A maconha legal no Uruguai teve alguns problemas em seu primeiro ano de vendas nas farmácias como a resistência dos bancos e a não estabilidade da safra para o clima do país, contudo, para especialista, o segundo ano de venda legal será melhor. As informações são do El Observador.

No dia em que iniciou a venda de maconha nas farmácias, 19 de julho do ano passado, o mundo voltou a atenção para o país e as lojas ficaram sem estoque antes do final do dia. Centenas de consumidores não puderam adquirir a maconha que desejavam. Como um presságio, por assim dizer, a imagem de escassez foi perpetuada durante o primeiro ano de venda, que fechou com uma distribuição de um pouco mais de uma tonelada, disse Diego Olivera, secretário-geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai, numa conferência de imprensa. A cifra demonstra um valor inferior ao que se estimava atingir.

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Se você considerar os três mecanismos autorizados pelo Estado para produzir maconha – as empresas que plantam para as farmácias venderem e os cultivos caseiros e por clubes e associações – e supor que todos colhem o máximo que o governo permite, chegará à conclusão de que o sistema global deveria ter gerado 9,3 toneladas em um ano. As duas empresas que cultivam maconha só podem produzir até duas toneladas por ano.

Gonzalo Rodríguez, que era um acionista da Symbiosis, uma das empresas autorizadas a produzir e vender para farmácias, e agora é CEO da GreenField Helth na América Latina, empresa suíça que produz medicamentos à base de cannabis, disse ao El Observador que foram várias as razões que causaram a desaceleração da produção.

“Antes de mais nada, devemos ressaltar que a safra não foi estabilizada para o clima do Uruguai”, disse Rodríguez. Como indicado, a importação de sementes foi feita a partir de Israel, com uma genética que não foi adaptada às características meteorológicas do Uruguai, como, por exemplo, os altos índices de umidade. “Estabilizar esta questão, tranquilamente, pode levar alguns anos”, acrescentou ele observando que, mesmo durante o processo de conciliação, muitas plantas morreram, o que também alterou as previsões das culturas.

Rodriguez disse que também houveram falhas nos outros elos do ciclo canábico, como o problema com os bancos que decidiram fechar a conta de clientes que vendem cannabis ao considerarem que comercializavam uma substância proibida para a comunidade internacional.

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“Foi assim que muitas farmácias foram retiradas e o projeto foi reduzido a algumas poucas lojas que funcionaram como um experimento, em caráter piloto e com pouquíssima cobertura fora de Montevidéu”, acrescentou. Rodríguez advertiu que ainda hoje o problema permanece e que, precisamente, é uma das dívidas que o Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (Ircca) arrasta.

Pouca agilidade

O especialista lamentou que o Ircca tenha conseguido implementar apenas 25% do que é estabelecido por lei. “Teríamos que estar muito mais avançados nesse sentido”, criticou, apesar de não culpar somente o instituto. “Há outras agências que também influenciam e a inexperiência geral contribui para atrasos”, acrescentou.

“É evidente que o primeiro ano foi perdido, não foi capaz de montar toda a infra-estrutura para operar com agilidade e a parte administrativa também tem operado a partir de inexperiência”, acrescentou Rodríguez. De qualquer forma, ele disse estar convencido de que a trajetória desses meses passa a ser a garantia para melhorar o ritmo, para o segundo ano de venda legal.

“Hoje temos produtos da mais alta qualidade que oferecemos de forma honesta e sem risco, deixando para trás o esquema hipócrita que existia antes da lei”, disse Rodríguez, que também ressaltou que os consumidores foram educados sobre isso. “As pessoas viraram a chave, podemos dizer que se gourmetizou o mercado, e hoje se busca produtos de qualidade. As pessoas querem saber o que consomem. Não há um conhecimento mais profundo”, completou.

Para o próximo ano, Rodríguez espera que seja implementado um esquema com maior e melhor coordenação entre as partes. “Ainda há muito medo por parte do administrativo. Ainda é um assunto tabu para um país como este. As coisas deveriam ter sido mais eficientes, isso é muito claro. Mas, ainda assim, se olharmos para a região, o Uruguai é claramente mais avançado do que os outros e isso é algo para celebrar”, concluiu.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) de uma estrutura amarela vazada com o desenho da folha da maconha e a mão de uma pessoa segurando um baseado.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.