MACONHA CONTRA A POBREZA NAS FAVELAS

 MACONHA CONTRA A POBREZA NAS FAVELAS

Enquanto em outros locais do mundo, os governos estão com receita pós-legalização da maconha de sobra para aplicar em saúde e educação, como é o caso do estado do Colorado, nos EUA, no Brasil, especialmente na cidade do Rio, a legislação de drogas se mostra cada vez mais contraditória. A lei retira rios de dinheiro de áreas necessitadas da sociedade e aplica na falida, porém lucrativa, guerra às drogas. Entenda como a maconha poderia reverter esse quadro no texto desta semana do advogado e ativista André Barros.

O estado do Colorado nos Estados Unidos da América vendeu 1 bilhão e 300 milhões de dólares de maconha em 2016. Com isso, arrecadou 200 milhões em receitas, a serem aplicadas na saúde e educação. 875 milhões vieram da venda para fins recreativos e o restante para fins medicinais. A população do Colorado é de 5 milhões e 500 mil habitantes.

O Rio de Janeiro tem uma população de 6 milhões e 500 mil habitantes. O consumo de maconha, aqui, deve ser bem maior que o do Colorado. Vivemos numa das cidades mais socialmente desiguais do planeta, onde as maiores vítimas são os negros. Apesar da maconha ser vendida e comprada em todas as partes da cidade, a repressão do Estado está localizada basicamente onde vivem os negros.

Chamada de “Cidade Maravilhosa”, as crianças negras brincam em valas sujas e sobrevivem na quase absoluta falta de saneamento básico. Situação completamente diferente dos lugares onde vivem nababescamente as crianças brancas de classe média e alta.

Herdeiros da maior população escrava do mundo e de raízes monarquistas e escravocratas, os lugares onde vivem os brancos são chamados de “áreas nobres”, enquanto onde vivem os negros são chamados de “favelas”. Restam, então, algumas perguntas: Por que, no rico estado do Colorado, a maconha é vendida legalmente, e no Rio de Janeiro é ilegal? Por que o Colorado lucra mais de um bilhão com a venda da maconha e o Rio de Janeiro gasta bilhões na repressão à maconha? Por que milhões arrecadados em impostos da maconha no Colorado são aplicados em saúde e educação e milhões de impostos são retirados da saúde e educação para serem aplicados na “dita” segurança pública? Qual dos dois estados mais precisa de arrecadação de impostos?

Se as bocas de fumo nas favelas, também chamadas de firmas, fossem legalizadas, esses bilhões poderiam ser revertidos para os negros, ajudando na redução dessa brutal desigualdade social. E nada mais justo, pois foram os negros que resistiram à repressão racista da compra e venda de maconha nas favelas. Enquanto os negros trouxeram a cultura de fumar a maconha da África e por isso a planta foi criminalizada, os brancos só vão consumir maconha na onda da contracultura dos idos de 1960, 70.

Após a abolição da escravidão, os negros não receberam terras nem tiveram qualquer indenização. Colocamos, então, a última pergunta: Os negros serão impedidos de vender maconha quando a planta for legalizada no Brasil?

Revisão MARTA BONIMOND

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 MACONHA CONTRA A POBREZA NAS FAVELAS

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Sobre André Barros

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros e terceiro suplente de Deputado Estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro.