Literatura Sativa: Corta a brisa um caos disciplinar

 Literatura Sativa: Corta a brisa um caos disciplinar

 

Garoto interiorano, branco, classe média, estudando nas melhores escolas públicas da cidade, coroinha da igreja do bairro e um filho com boas notas e excesso de conversa na sala de aula. Nos churrascos de família, ou dos amigos dos meus pais, de igreja e todas as outras confraternizações que a alegria era motivo suficiente para se reunir, a preocupação era por uma substância que retardaria alguns sentidos motores, mas que aumentaria os atos espontâneos que não se faria sóbrio.

Nessas reuniões festivas, sempre foi compreensivo para aquela criança, que todo adulto tem uma substância predileta para lhe tirar da zona padrão de conforto. Para aumentar o início dos questionamentos, alguns familiares de idade próxima, teria se envolvido com um pó branco. Bom, as fofocas também familiares e de vizinhança dizia ter ouvido e visto atitudes agressivas e de não reconhecimento do rapaz.

Os adultos, homens maiores de quarenta anos, em sua maioria tios, primos, pai, amigos e desconhecidos, todos com ideias retrógadas e machistas. Utilizavam notas e mais notas para garantir aquela bebida, o final era sempre derrubado, perdendo o dia seguinte, geralmente de mal humor e com poucas ideias para ser trocada.

Não havia escolha, não havia debate e muito menos uma incerteza. Eu queria ser totalmente o inverso dessas pessoas. Mas quando me deparo na nesse mercado oculto, vulgo biqueira, usando gírias forçadas para parecer familiar, me sentindo desconfortável e “culpado”, ansioso para ter e garantir que aquilo que me mantem longe de toda aquela utopia masculina de ser. Tenho medo e me questiono sobre minhas atitudes, mesmo carregando dezenas e mais dezenas de comprovações técnicas, científicas e populares de que eu não estou sendo errado.

Desde que essa erva entrou em minha linha temporal, balanceando muito mais as coisas significativas em minha vida, estou lidando com todos os obstáculos e problemas de forma mais equilibrada, sutil e com mais atenção. Me dói na alma ter que colocar na balança e questionar o uso dessa ajuda, essa bendita planta, pois não é legalizada ou bem vista. A legalização é muito mais uma representação teatral, legislativa e motivo para se criar um corredor para grandes lobistas. A realidade do usuário que entende as proporções da maconha como modo de vida, infelizmente é uma carga negativa sobre os ombros, por ter sido criado com morais e éticas tão conservadoras, e conciliar uma vida de bem-estar convicto, com a hipocrisia de ser um bom filho.

 

André Macêdo, 21 anos, estuda Letras em Americana e é um apaixonado pela vida interiorana, pelo Edgar Allan Poe, e pela potencialização física e psicológica que a ganja nos causa.

Fotografia de capa: Smoke Buddies

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Sobre Smoke Buddies

O Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. http://www.smokebuddies.com.br

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