Literatura Sativa: Che Cannabis e a Maconha Medicinal

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Che Cannabis, o herói brasileiro da maconha, não se conforma com a proibição de uma planta que serve para curar tantas doenças e clama aos maconheiros que se unam contra o proibicionismo. Boa leitura!

O Brasil tem outra Embraer e fabrica outros tipos de aviões, só que montados na surdina da corrupção e do tráfico de drogas. Deus nos proteja dos assassinos, vilões, e dos homens que não estudaram e estão com fome.

Sou leigo pra estudo e pra namoro, mas se a garota amar a leitura, há de ser uma maconheira das minhas. Eu topo! Não importa, se a beleza de fora amadurecer cedo demais, em relação à beleza de dentro.

Eu amo a pessoa por dentro do mapa que faço da pessoa que amo. Se a pessoa amar ler, então ela há de ler o meu silêncio e iremos conversar de tudo um pouco.

Deve até ser coincidência, o fato de eu morrer talvez solteiro, porque eu não ando por aí de jeito nenhum de salto alto: “só se foi porque morreu cedo”, vão dizer sobre mim. Mudando de assunto, o meu sonho era ter nascido transsexual, só que infelizmente, me fiz entre lá e cá, sem ser de lá, nem de cá. Sei de tudo que eles falam de mim, mas ignoro a minha escolha sexual, em nome do amor hermafrodita.

Viva a solidão dos guerreiros! Sou dado às baratas, guerreiro na leitura de Kafka. Sou entregue às baratas todas da vida. Mesmo assim, fui crescendo em periferia e sem usar drogas até jovem. Por outro lado, usei um pouco de tudo na adolescência. Conclusão: o álcool me fez uma eterna criança e na maconha, virei professor. E antes? Ah, antes eu sempre fui sadio de dar uma gastura em minha família toda. Minha mãe e meu pai disseram-me, quando eu completei dezoito anos:

— Menino, seu traste, me trate logo de arredar o pé daqui de casa. — era a voz da mamãe.

E papai emendou:

— Ontem eu soube que você pensou que o mundo tem volta. Raspa daqui pra caçar emprego, abestado!

Eu mesmo insisto em dizer, que personagem de cinema era eu, e que, apesar de minha família e minha sociedade conservadora duvidar de eu ser um bom sujeito, só porque usei da erva resinosa fumada, durante anos, preciso dizer que até hoje sou plantado no chão.

Encarcero-me diante do paradigma: “maconha é uma droga”. Eu aprendi que maconha é um remédio eficaz. Por que é seu uso proibido? Respondo agora, leitor:

— Safadeza de gente mesquinha!

Por isso, eu clamo urgentemente:

— Maconheiros, uni-vos!

Eu, construindo uma ponte entre a lógica e a maconha medicinal, me faço etéreo, feito de Hidrogênio e capaz de explosão, numa completa ácidez de ideologia como Karl Marx e a Bomba H.

E, se morrer faz parte da coisa de viver, então vamos esquecer disso um pouco e pensar que o Hidrogênio encontrou dois Oxigênios e deu vida à vida. Triângulo amoroso. Paradoxal? Nada de Bomba H, né?

Respondo a mim mesmo:

— Nenada!

Pausa pra pensar no esmo de mim e de Vós Mercê. Continuo filosofando sobre a legalização da maconha e meu círculo é vicioso, minha narrativa parece não ser.

A verdade é longe da explicação da verdade, sabia? O sagrado é perto do longe da verdade, mas ainda não é a verdade. Fico pensando nisso, mas é sem proveito: Se verdade, não mais sagrado. Além do mais, a ciência é perto da verdade toda. Se verdade, ainda mais ciência.

Na verdade, eu vos digo que esses átomos de Hidrogênio e Oxigênio, em orgias profundas, realizaram um triângulo amoroso vital: o famoso dois em um.

Salve a inteligência humana, quando ela estiver livre de paradigmas, de prisões e de mil coisas. É certo que a mente do ser humano há de fluir melhor, quando a maconha for liberada. Não tenho dúvidas disso. A gente passa a pensar direito sobre os fatos de que maconha é uma planta, ou erva medicinal, e que faz sua mente pensar e repensar nas coisas da vida. Sua mente transcende.

Nada de alucinações no efeito da maconha…

E no haxixe, pergunte a Baudelaire. Eu queria mesmo era agora poder ver as coisas além da minha esquizofrenia e do meu senso comum.

Salve a natureza das combinações químicas e sua lógica de elaborar a maconha de uma semente dióica, o que significa que a cannabis sativa tem sua sexualidade altamente desenvolvida, com duas flores completamente separadas, dois gêneros distintos: fêmea e macho.

Para cada pé de cânhamo macho, outro fêmea, né lindo? A lindíssima e robusta maconha é uma fêmea que nos leva a ampliar um horizonte de perspectivas, através da ação direta do THC e do CBD em nosso cérebro: me tornei hermafrodita. Melhores explicações encontram-se nas Bulas informativos neste livro.

Inclusive, elaborei tais Bulas com o auxílio de um livro que fala tudo sobre a maconha. O livro era uma metonímia de Xis Conrado. Na verdade, minha esquizofrênia, em língua portuguesa, recriou o tal professor. Xis é o livro de Conrado. Ele fala comigo, e o livro que amamos, torna-se o nosso melhor amigo.

Uns amam livros sagrados; outros, livros profanos. Eu amo livros de literatura, filosofia e ciência… Mas, como o livro de Xis Conrado passou a ser a minha Bíblia Sagrada, eu o personifiquei, pra ver se colava. Parafraseei-me do livro “Hemp: o uso medicinal e nutricional e recreativo da maconha”. Vi naquele livro tudo aquilo que poderia representar um ótimo aprendizado pra juventude do meu país. Dezenas de revistas tematizaram a maconha, repetindo Xis Conrado no bagulho de expôr ideias.

Já me dizia o meu professor imaginário Xis Conrado, quando eu fumava maconha, lendo-o:

— Eu, Che Cannabis, sou mais que um livro para tua esquizofrenia. Eu me fiz na ciência que faz tua cabeça.

Bem na sala de aula, que é o livro, Conrado conversava comigo sobre o real perigo de fumar maconha, caso liberem o uso medicinal e recreativo dela no Brasil:

— O fumo da maconha, Che Cannabis, contém componentes que provocam pequenas lesões temporárias no revestimento dos pulmões e que cicatrizam rapidamente, sem efeitos demonstrados a longo prazo.

— Sério?

— Não existem evidências de que tal dano levará o ser humano ao câncer.

— Câncer de pulmão, Xis?

— Sim, Che Cannabis. No entanto, o bom senso indica cautela. Por exemplo, Che: já foi provado mais de uma vez que fumar, demasiadamente, aumenta a possibilidade de o ser humano contrair bronquite. E digo mais, esse risco aumenta em áreas que possuem uma quantidade maior de ar poluído.

— Sem dúvidas, Xis!

Xis Conrado prosseguiu me ensinando:

— Se isso acontecer a você, o tratamento é simples: pare de fumar, e o problema irá embora. Afinal de contas, Che Cannabis, os danos superficiais que a fumaça da maconha causam ao pulmão humano estão limitados à larga passagem de ar, e não aos brônquios e alvéolos mais frágeis.

— E o auxílio do aerossol pode ser usado, Xis?

— Infelizmente, Che, os aerossóis se mostraram irritantes e caíram em desuso.

— E agora, Conrado, quem poderá nos defender?

— Se um paciente tem bronquite, efisema ou qualquer outro problema pulmonar, provavelmente não é uma boa ideia fumar qualquer coisa, nem mesmo a cannabis. Entretanto, um novo dispositivo de inalação, conhecido como vaporizador, esquenta a cannabis ao ponto em que sua essência é liberada na forma de vapor e lançada antes que a planta comece a queimar.

— Isso oferece novas e excitantes possibilidades num tratamento, né, professor?

— Exatamente, Che Cannabis!

Apaguei a minha erva resinosa fumada e concluí que a maconha é bem mais que uma simples questão de opinião. A maconha é uma química natural e divina do amor à vida. Precisamos conhecê-la cientificamente e entender, no mínimo, algumas de suas substâncias benéficas à saúde da população mundial.

Waldemar Valença Pereira é Professor, mestre profissional em letras e autor da obra literária  “Pé de Maconha – Che Cannabis nas andanças da ciência” que aborda a erva em prosa e poesia. Entre em contato com o autor através do email checannabis@hotmail.com ou através da redação pelo contato@www.smokebuddies.com.br.

Ilustração: Cacique Zé Coice, João Divino e Danieluiz

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Sobre Smoke Buddies

O Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. http://www.smokebuddies.com.br
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