Irmão da maconha: o plano de um bilionário para o canabidiol no Brasil

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O canabidiol, presente em vários países como remédio para tratamento de doenças como ansiedade e estresse, é a aposta de um bilionário chinês para o mercado brasileiro. A regulação da substância extraída da maconha é o grande desafio do empresário. As informações são da Exame.

Imagine um produto que promete todos os benefícios da maconha, como o relaxamento e o tratamento de doenças crônicas, mas sem seus estigmas, dos olhos avermelhados e “viagens” até o bloqueio da memória de curto prazo. Esse é o canabidiol, mais conhecido pela sigla CBD. A substância originada da cannabis, planta que também permite produzir a maconha, já representa um mercado de ao menos 600 milhões de dólares nos Estados Unidos e está em todo tipo de produto.

A depender das vontades do bilionário chinês Pink Wangsuo, conhecido como Mr. Pink, não vai demorar para o canabidiol chegar ao Brasil. O empresário, hoje residente em Los Angeles (Estados Unidos), já trabalha para enfrentar seu maior obstáculo: a regulação brasileira sobre o uso da substância.

Mr. Pink esteve no Brasil no mês passado para conversas com empresas e organizações governamentais sobre investimos em infraestrutura no país, como açúcar, agricultura, bebidas e carnes.

Porém, o bilionário chinês aproveitou alguns encontros, como o feito com a multinacional de agricultura francesa Louis Dreyfus e com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, para falar sobre um de seus investimentos mais incomuns: o Mr. Pink CBD, que fabrica óleos de canabidiol.

O canabidiol de Mr. Pink

Alcunhar uma frente de negócio de Mr. Pink como “incomum” é um grande feito. O bilionário é dono de empreendimentos em ramos variados. O mais conhecido é a marca de bebidas com ervas ginseng Mr. Pink, que desde 2012 recebeu 50 milhões de dólares em investimentos e apoio de celebridades como a atriz Lindsay Lohan e o cantor Justin Bieber.

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#PraCegoVer: fotografia em plano americano de Pink Wangsuo sentado com os braços apoiados sobre as pernas, usando óculos escuros, e olhando para o lado, enquanto segura um celular nas mãos; ao fundo pode-se ver várias prateleiras de madeira.

Outros negócios, mais obscuros, são a criptomoeda BCash (há um boato de que Mr. Pink é um dos maiores detentores de criptomoedas do mundo, o qual ele não comenta) e uma antiga participação majoritária no time italiano de futebol Milan (fatia da qual já se desfez e também não comenta sobre).

Operando há seis meses e com investimento de 3 milhões de dólares até o momento, o Mr. Pink CBD é hoje um site com dez produtos à venda: cinco óleos de canabidiol nos sabores e aromas tradicional, baunilha, banana com morango, hortelã e laranja e cinco canetas vaporizadoras com os mesmos ingredientes. Mil unidades já foram vendidas, segundo Joel Contartese, empreendedor serial em mídias sociais e CEO da companhia.

Os preços vão de 12,90 dólares (uma caneta vaporizadora) até 129 dólares (óleo com 1.000 miligramas), ou de 48,47 reais até 484,70 reais na cotação atual. A recomendação de Mr. Pink é aplicar uma gota por dia, debaixo da língua. Ele afirma usar o produto todos os dias, assim como beber várias latas de sua bebida com ginseng.

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#PraCegoVer: fotografia de um frasco de cor âmbar e tampa conta-gotas de cor branca, e um rótulo com o texto “Mr. Pink” (rosa) “CBD” (azul), e as pontas dos dedos (com unhas compridas femininas) que o seguram; e um fundo desfocado em cores claras.

Para Mr. Pink, o Brasil pode se tornar um mercado bilionário de CBD e sua empresa pretende investir “milhões” por aqui, o que pode incluir a aquisição de terras para plantar, extrair e produzir o canabidiol no futuro — o que baixaria custos de produção não só para a venda no mercado brasileiro, mas em futuras exportações a mercados como Estados Unidos e China.

A integração da cadeia logística e a criação de empregos diretos e indiretos é o principal argumento de Mr. Pink para convencer governo e empresas a apoiarem o CBD no país. Os cultivos de cânhamo, plantas do gênero cannabis com baixa dose de THC, também originam produtos além do canabidiol, como um substituto para o algodão que pode originar tecidos.

“O Brasil é o maior país da América do Sul e as oportunidades só crescem, com boas terras, água potável, clima e uma grande população trabalhadora. O canabidiol ainda não tocou esse mercado e nem a América Latina como um todo”, afirma o bilionário chinês. “Se pudermos entrar, acredito que seremos maiores do que os cigarros eletrônicos. Não estamos aqui para nos divertir, e sim para avançarmos o mais cedo possível, já que o Brasil costuma incorporar modas americanas com alguns anos de atraso.”

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#PraCegoVer: fotografia em meio primeiro plano de Pink Wangsuo (esquerda) apertando a mão de um homem, durante encontro com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, ambos vestidos com terno de cor azul-escuro; ao fundo pode-se ver as bandeiras do Brasil e de São Paulo arriadas e uma parede com grandes azulejos de cor marmorizada clara.

Nos Estados Unidos, o mercado de canabidiol faturou cerca de 600 milhões de dólares no ano passado e pode chegar a 22 bilhões de dólares em 2022 apenas com a produção em cânhamo, diz a consultoria especializada The Brightfield Group.

O que é o CBD e por que ele ainda não emplacou no Brasil

O jornal americano New York Times alcunhou o CBD de “a nova bitcoin”: é um tema quente, está em todo lugar e poucas pessoas sabem do que realmente se trata. O CBD é uma substância existente nas plantas do gênero cannabis, que concentra principalmente o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), agente psicoativo da maconha. Por conter baixas doses de THC, o canabidiol não dá a sensação de “estar alto” associada ao uso da maconha. Os óleos de CBD são feitos pela extração do canabidiol das plantas do gênero cannabis e sua diluição em óleo de coco, por exemplo. E, terras americanas, produto já está em cremes de beleza, comidas para humanos e pets e até em grãos de café.

Diferente de outras marcas, Contartese afirma que o Mr. Pink não promete curas milagrosas, como tratamentos para câncer, e sim benefícios como redução de ansiedade, dor e estresse; melhoria do sono, de náuseas e de efeitos psicóticos; e estímulo à circulação, à atividade cerebral e à produção de antioxidantes. Basicamente, uma suposta solução aos males do século 21 — e que ainda precisa de mais estudos científicos para o martelo ser batido, ressalta o jornal.

Nos Estados Unidos, afirma a Mr. Pink, seus óleos de CDB são legais até em estados que proíbem a maconha, desde que sejam derivados dos cânhamos e contenham menos de 0,3% de THC. Segundo o Conjur, o canabidiol é liberado em 20 estados americanos, registrado como substância terapêutica, e em países como Canadá, Itália, Espanha, Reino Unido e Israel.

O grande desafio do investidor não é dinheiro, mas regulação. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou seu uso para fins medicinais em 2015. O medicamento já tratou pacientes com epilepsia, por exemplo. É preciso ter prescrição médica para seu uso e preencher autorizações de importação.

Sem essa concessão, andar com um produto da Mr. Pink não é algo permitido por lei. Se o bilionário adotar a tática de chegar com tudo que as chinesas já fizeram nas finanças, logística e telecomunicações ao investir 24,7 bilhões de dólares por aqui em 2017, logo veremos seus óleos de canabidiol nas prateleiras de farmácias brasileiras.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) de uma flor de maconha em tons de verde sendo manipulada por duas mãos que vestem luvas de cor azul-claro e um fundo desfocado com plantas de cannabis.

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Sobre Smoke Buddies

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