Indústria de bebidas dá 1º passo em direção à maconha

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Assim como o CBD é uma chance de as empresas de maconha apresentarem seus produtos a um público mais amplo, algumas empresas de bebidas enxergam a erva como uma forma de atingir os consumidores tradicionais. As informações são da Forbes.

Quando as pessoas pensam em maconha, a primeira coisa que vem à mente é fumar, vaporar ou comer – em algum alimento feito à base da erva. Até pouco tempo, a ideia de beber cannabis não era uma realidade para a maioria das pessoas.

Mas isso está começando a mudar. Neste verão, por exemplo, em São Francisco, na Califórnia, a Beverage Trade Network está promovendo sua primeira ‘Cannabis Drinks Expo’ para discutir bebidas à base da erva que, segundo a Zenith Global, devem chegar a faturar cerca de US$ 1,4 bilhão até 2023 – muito além dos US$ 89 milhões do ano passado.

Uma grande variedade de produtores está inserindo CBD e THC em todos os tipos de bebidas – chás, refrigerantes, sidras, margaritas e vinhos -, com uma gama de concentrações que vão de 2,5 miligramas de THC até doses de alta potência de 100 mg por recipiente. A fabricante de vinhos Rebel Coast Winery oferece uma versão não alcoólica da bebida com 5 mg de THC por copo. A MJ Wines, por sua vez, faz uso da erva em bebidas energéticas, café e vinho, e está trabalhando em uma cerveja IPA de cânhamo. Marcas como a Recess, que arrecadou US$ 3 milhões de investidores, estão vendendo águas cintilantes combinadas ao extrato da erva. A California Dreamin, empresa norte-americana de sucos, oferece aos clientes um leve sabor da cannabis em bebidas à base de frutas, com 10 mg de THC.

Uma coisa comum entre muitas marcas de bebidas é a forte posição na categoria de saúde e bem-estar. A maioria direciona seus produtos para pessoas que querem mais estímulo durante o dia ou que procuram uma melhor forma de dormir à noite. A Mood33, indústria de bebidas gaseificadas, promete fornecer “sua própria sessão de aromaterapia” em cada garrafa de suas águas feitas com 10 mg de THC e várias outras ervas, flores e frutas. A Heineken lançou uma bebida espumante à base maconha chamada Lagunitas Hi-Fi Hops, que diz ser “inspirada na IPA”. Nela, alguns dos componentes são lúpulo e THC, apesar da ausência de álcool, calorias ou carboidratos. Em janeiro, a empresa de bebidas orgânicas New Age Beverage introduziu o Marley + CBD Mellow Mood, anunciado como bebida relaxante que conta com 25 mg de CBD por unidade.

No outono norte-americano passado, até mesmo a Coca-Cola passou a conduzir negociações para uma linha de bebidas com infusão de CBD, mas a gigante de bebidas acabou decidindo não dar continuidade ao projeto por enquanto. Um problema para grandes marcas como a Coca-Cola é que a cannabis ainda é uma droga da Classe 1 em nível federal nos Estados Unidos, o que significa que ela é categorizada com heroína, metanfetamina e LSD, e considerada sem valor medicinal. Essa designação assustou algumas marcas. Isso também dificulta o crescimento das empresas, já que elas estão à mercê das regras e restrições individuais de cada estado norte-americano – e até mesmo de países – em relação à quantidade de THC e CBD. Rotulagem, engarrafamento e até regulamentos de concentração podem diferir de lugar para lugar, o que dificulta uma identidade da marca.

Fora isso, há também o sabor. As bebidas com cannabis não são as mais saborosas do mundo. Na verdade, elas foram descritas como um paladar “estranho”. Infelizmente, o cheiro característico da erva não combina muito bem com suco de frutas – ou qualquer outro líquido à base de água. Isso porque nem o óleo THC, nem o óleo CBD são solúveis em água, gerando um aspecto esquisito. Essa é uma das razões pelas quais muitas bebidas à base de maconha contam com sabores intensos e fortes, como limão e gengibre, e outras apresentam altos índices de açúcar. Espera-se que as inovações nos isolados de CBD e THC, que são praticamente inodoros e sem sabor, ajudem as bebidas a darem grandes passos em relação ao sabor. Uma empresa canadense acredita já ter a solução, e está planejando fabricar cerveja diretamente de plantas de maconha em vez de adicioná-la ao produto já finalizado.

Também há esperança de que o projeto de lei agrícola de 2018, que legalizou o cânhamo industrial e seus extratos, permita que as bebidas com infusão de CBD ganhem força em todo o país, para que as marcas possam, em breve, conscientizar e fidelizar o público e os consumidores acerca da proibição da cannabis.

Enquanto isso, a indústria alcoólica ainda está decidindo se a cannabis é uma ameaça ou uma oportunidade de crescimento. Algumas grandes empresas, como a Heineken, tomaram a iniciativa como uma chance de inovar. A Constellation Brands, fabricante de vinhos, licores e cervejas, que inclui a Corona, investiu US$ 4 bilhões na empresa Cannabis Canopy Growth. Já a AB InBev, dona das cervejas Budweiser e Labatt, investiu US$ 50 milhões em uma parceria com a empresa canadense Tilray, que conferiu mais de US$ 50 milhões em pesquisas de bebidas não-alcoólicas que contêm THC e CBD.

Assim como o CBD pode ser visto como uma chance de as empresas de maconha apresentarem seus produtos a um público mais amplo, essas empresas de bebidas alcoólicas enxergam a erva como uma forma de obter acesso aos consumidores tradicionais. Os mais jovens estão exigindo sabores mais modernos, e muitos evitam o álcool, especialmente a cerveja. As bebidas com cannabis também são uma forma de atrair novos consumidores, que têm curiosidade acerca da erva, mas que não estão interessados em fumá-la ou comê-la. Beber é uma maneira fácil e discreta de experimentá-la.

Além disso, ainda existe muito dinheiro a ser ganho em bebidas com cannabis – uma vez que esses produtos não são baratos. Uma garrafa de 250 ml de limonada na marca Torrey Holistics Berry, com 100 mg de THC infundido, custa cerca de US$ 25 – com impostos, o valor vai além de US$ 31 por garrafa. Ao custo de apenas US$ 8, os 350 ml de bebidas da Mood33 parecem uma barganha. Mas os consumidores parecem estar dispostos a pagar caro nessas bebidas, com a condição de que elas os deixem cada vez mais chapados.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) em vista superior que mostra parte de um pé de maconha em período vegetativo (parte esquerda da foto) em um vaso preto, ao lado de uma garrafa de cor escura e tampa vermelha e uma mão que segura uma taça contendo uma bebida de cor marrom translúcida; ao fundo pode-se ver uma superfície de cor bege.

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