Importadora de remédios à base de maconha tenta reduzir estigma da sociedade

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O uso medicinal da maconha vem crescendo mais a cada dia no Brasil, contudo, mesmo com aprovações da Anvisa, ainda encontra resistência por parte da sociedade. As empresas que atuam nesse incipiente mercado precisam lidar primeiramente com a desmistificação da planta. Saiba mais com as informações da MidiaNews.

Uma empresa com sede em São Paulo, que atua desde janeiro em Mato Grosso, tenta difundir o uso de medicamentos produzidos com princípios ativos retirados da cannabis, a maconha.

A Greenfields importa os remédios fitoterápicos – totalmente naturais – da Alemanha e Suíça, onde são produzidos.

Os produtos feitos a partir do THC e do canabidiol (CDB) já são uma realidade para tratar doenças crônicas. Apesar do cultivo da planta ser proibido, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou e regularizou o uso do medicamento de canabidiol.

Entretanto, ainda há um preconceito pairando sobre o produto. Segundo o CEO Sthefan Negraes Consorte, parte da sociedade não consegue compreender os benefícios que o uso terapêutico pode proporcionar.

“A gente consegue verificar que está tendo uma quebra do preconceito. Porém ainda existem alguns setores da sociedade que têm muita resistência ao tratamento e não entendem que esse produto não é uma droga recreativa”, lamentou.

Diante disso, o processo de desmistificação é uma das tarefas principais da empresa.

“Nosso intuito principal é promover a educação e desmitificação destes produtos no mercado, e fornecer de pronto uma solução que atualmente é a mais barata do mercado e altamente eficaz para doenças crônicas refratárias”, revelou Sthefan.

Para alcançar a conscientização da população, a Greenfields busca auxiliar os médicos a entenderem a funcionalidade do remédio no corpo.

Além disso, a empresa também começou a promover seminários de educação de pacientes no Uruguai.

“A gente cria seminários com médicos e especialistas sobre o assunto e desmistifica o canabidiol para o paciente, para que ele se sinta mais seguro utilizando. A intenção é também trazer esse modelo para o Brasil”, disse.

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O medicamento

Desde a plantação da maconha até a embalagem do medicamento, tudo é feito na Alemanha e Suíça pela multinacional Medropharma.

Nesse processo, sua produção passa por uma rigorosa fiscalização de três órgãos, a Anvisa, a americana FDA (Food and Drug Administration) e a europeia EMA (European Medicines Agency).

O remédio possui menos de 1% de THC (tetraidrocanabinol) e o canabidiol em sua composição. E por ser fitoterápico, utiliza apenas elementos derivados da planta medicinal.

“A gente não trabalha com nenhum produto que seja psicoativo, que é o que causa aquela sensação típica do cannabis para uso recreativo”, explicou o CEO.

Por causa disso, a empresa desenvolveu uma planta de cannabis totalmente exclusiva que tem os níveis de CDB e THC padronizados e regulados.

“Você precisa ter um controle muito bem feito desses níveis de substâncias para não trazer um efeito negativo para o paciente ao invés do benéfico, que é o que o canabidiol vem trazer”, revelou Consorte.

A propriedade principal é o canabidiol, que atua no sistema nervoso central, em uma parte do cérebro chamada sistema endocanabinoide. Esse sistema funciona como um regulador neural e basicamente ele reconstitui a sinapse e ajuda dando controle de muitas funções do corpo.

Quando esse sistema é ativado, é possível obter a recomposição neural e isso traz benefícios para tratar algumas patologias.

“Isso que acaba por regular o parkinson, a tremedeira, as convulsões da epilepsia. Além disso, também é um anti-inflamatório muito potente e vai agir em quase todas as doenças com processo inflamatório”, explicou o empresário.

Além disso, o THC também atua como um potente anestésico para o corpo e pode ser utilizado para tratar dores crônicas, de quimioterapia e de câncer.

“Em doses certas e controladas, ele funciona como um anestésico muito potente e que não traz o efeito reverso como o da morfina”.

A substância também atua como antiemético, que alivia sintomas como enjoos provocados por labirintite, por exemplo.

Resultados

Em estudos observacionais e relatos, não há registro de nenhum paciente ter apresentado efeitos adversos ao medicamento.

“Praticamente quase todos que trabalhamos tiveram alguma melhora, nem que seja na sua qualidade de vida ou melhora na patologia”, afirmou Sthefan.

O remédio importado pela Greenfields possui 100% de eficiência em algum aspecto dos usuários.

Valores

De acordo com o representante da empresa em Mato Grosso, Felipe Agostinis, o preço do medicamento pode variar entre US$ 50 e US$ 400, o que dá algo entre R$ 185 e R$ 1.480.

A grande diferença nos valores se deve à dosagem prescrita pelo médico.

Segundo Agostinis, a quantidade e a dosagem variam para cada usuário e isso influência no preço.

Ele pode ser adquirido como uma pomada, óleo ou em seringa para misturar com água e ingerir via oral.

Quem pode usar?

Apesar da regularização da Anvisa em 2017, ainda não é tão fácil se conseguir o remédio.

“A venda é uma importação. Você não consegue ir a uma farmácia e comprar o remédio fitoterápico a base de canabidiol”, explicou Felipe.

Antes é necessário passar por uma série de exames médios onde o paciente vai obter laudos comprovando as patologias. Depois disso, os documentos serão analisados pela Anvisa, que aprovará ou não a compra do medicamento para aquele paciente.

O médico também precisa estar disposto a receitar o uso do canabidiol.

“É burocrático, mas não é difícil. Você tem que provar que precisa daquele remédio”, afirmou o representante.

Apesar dos obstáculos, o número de usuários do medicamento tem crescido no Brasil. Os dados da empresa revelaram que a cada mês há de 30 a 50 novos pacientes.

“A gente está conseguindo ver esse crescimento, ele está divagar, porém está acontecendo”, disse o CEO.

Pesquisas

A Greenfields também se preocupa em fomentar o desenvolvimento de pesquisas e disseminá-las pelo País.

Atualmente, a empresa realiza um estudo pré-clínico na Universidade Anhembi-Morumbi, de São Paulo. Além de uma pesquisa sobre tratamento de fibromialgia em pacientes crônicos e outro projeto de acompanhamento farmacêutico em pacientes que utilizam o canabidiol, na Universidade Mackenzie.

O Hospital Sírio Libanês, também de São Paulo, faz estudos clínicos para conseguir registrar um dos produtos da empresa em território nacional.

A empresa também pretende promover novos estudos em conjunto com universidades e institutos de pesquisa em todo o país.

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