História do green no Brasil

 

A planta _|/_ não é natural do nosso país. Foi trazida pelos escravos assim que esses começaram a desembarcar no Brasil. Isso lá pelos idos de 1549. No começo da sua história em terra brasilis o cigarrinho de artista tinha outros apelidos: Fumo d’Angola ou Bangue.

Quando o índio brasileiro provou do bem bolado, não conseguiu mais largá-lo. Também começou a cultivar e difundiu o uso no país.

A planta teve seu momento de glamour no século 19. Ingleses e franceses intelectuais ou nobres começavam a dichavar ideias sobre os efeitos da substância. Os elegantes senhores faziam a mente enquanto discutiam filosofia, poesia ou técnicas de medicina. No Brasil chegou a ser indicada como medicamento por um bom tempo: “Contra a bronchite chronica das crianças (…) fumam-se (Cigarrilhas Grimault) na asthma, na tísica laryngea, e em todas (…)” – Assim era uma receita médica daquele tempo: menos política, mais experimental.

Os homens da lei começaram a ficar na bota do maconheiro apenas na década de 1920. Malandro que era pego fazendo fumaça ia autuado por ‘vadiagem’. Os criadores do samba carioca eram grandes apreciadores da erva. Essa foi a década em que Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Alagoas e Bahia viram a repressão policial aumentar consideravelmente. Estranho que esses eram estados com grande desigualdade social. Em 1930 a maconha foi efetivamente demonizada: o beck era chamado pelas autoridades de o ‘ópio do pobre’.

Ao longo do século 20 chegou-se ao ponto de políticos e autoridades afirmarem que ela era tão perigosa quanto a heroína. Quando o objetivo é eliminar algum tipo de costume ou cultura, nada melhor como propagandear que ela mata. Manobra política. Na década de 80 o Jornal Brasileiro de Psiquiatria publicava o seguinte posicionamento: “A falta de discriminação entre viciados em drogas pesadas e simples fumantes de maconha tem resultados altamente inconvenientes do ponto de vista social. O perigo maior do uso da maconha é expor os jovens a conseqüências traumáticas de ordem policial. Não há dúvida que cinco dias de detenção em qualquer estabelecimento policial são mais nocivos à saúde física e mental que cinco anos de uso continuado da maconha.”

O medo é uma forte arma; e volta a ser quando tudo se torna politicamente correto: não se engane achando que pode falar tudo o que pensa e jogar no YouTube, por exemplo. Não somos uma democracia em que a liberdade de pensamento é respeitada. Temos um sistema que censura o que desagrada à maioria: essa é a nossa democracia.

A proibição da maconha no Brasil e em grande parte do mundo tem cunho político e até mesmo teses de doutorado defendendo o uso medicinal são ignoradas. Não são divulgados na grande mídia os estudos sociológicos que apontam o quanto a legalização diminuiria a violência. Por trás do tráfico há dinheiro de colarinho branco.

Entre os anos de 1997 e 1999 foram registradas no Brasil cerca de 300 pessoas intoxicadas ou dependentes de maconha. Entre aqueles que preferiram uma Ypioquinha ou uma Brahminha o número foi de 119.906. Sim, é isso mesmo. Em 3 anos, 300 pessoas foram internadas por complicações com a maconha, contra 119.906 internados por complicações com álcool. Irresponsabilidade com bebida alcoólica é constantemente manchete. Eu duvido que alguma vez na sua vida você já leu ‘Jovem fuma maconha e mata família atropelada em ponto de ônibus’ na capa de alguma revista ou jornal.

Se a geração de nossos pais teve menos acesso à informação, agora nós temos a Internet. Por aqui podemos devorar assuntos e nos juntar. Criar e evoluir. Temos tudo nas mãos para aumentar conhecimento e mudar ‘verdades absolutas’. Por exemplo, o modo como é tratada nossa _|/_

É importante que saibamos que tudo isso é um jogo . Envolve gente importante. Iates e mansões correm risco de sumir quando fala-se em legalização. Para o tráfico, perder o dinheiro da maconha seria perder uma perna e alguns dedos. Teríamos menos Blue Label na mão de vagabundo e mais green eye para quem só busca a paz.

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