Fusões e aquisições batem recorde no mercado da maconha do Canadá

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A legalização do uso recreativo da maconha no Canadá está causando um movimento frenético no mercado de fusões e aquisições. Os negócios relacionados ao setor canábico já somam mais que o dobro de transações de todo o ano passado no país. As informações são do Financial Times, via Valor Econômico.

O mercado de maconha do Canadá, que será totalmente legalizado em breve, assistiu à maior aquisição de sua recente história. A transação, de US$ 2,5 bilhões, representa uma aceleração da consolidação, num momento em que as empresas se apressam para garantir a hegemonia no setor.

A aquisição ontem (14), da Med Releaf pela Aurora Cannabis, dois grupos concorrentes de maconha para fins medicinais, ocorre cinco meses após o grupo canadense ter comprado a CanniMed Therapeutics e semanas após ter investido na abertura de capital da produtora de maconha orgânica The Green Organic Dutchman.

O negócio proporciona à Aurora uma maior base de sustentação na produção, em uma época em que um grande número de governos do mundo legaliza o uso da maconha. Terry Booth, o executivo-chefe da empresa, disse que a transação “fortalece nossa capacidade de atender os mercados mundiais de maconha de uso medicinal, em rápida expansão.”

A maconha foi legalizada em 21 países para uso medicinal, entre os quais Austrália, Colômbia e Alemanha, enquanto uma série de governos nacionais está discutindo se deve ou não legalizar ou descriminalizar o uso recreativo. A maconha tem seu uso medicinal legalizado no Canadá desde 2013, e a legalização do uso recreativo está prevista para julho.

Nos Estados Unidos, o uso medicinal da erva foi legalizado em mais de metade do país, num momento em que os Estados e os governos municipais encaram a maconha como uma maneira de impulsionar a arrecadação fiscal. Quase 66% dos americanos apoiam atualmente sua legalização, de acordo com o instituto Gallup, embora seu uso continue sendo considerado ilegal pela legislação federal.

Roy Bingham, executivo-chefe da BDS Analytics, uma empresa de pesquisa sobre maconha, disse que a abertura do Canadá ao consumo recreativo contribuiu para o negócio entre a Aurora e a MedReleaf. “Existe o entendimento neste instante de que, se não for no estilo ‘o vencedor leva tudo’, será um oligopólio no Canadá. Haverá, no máximo, meia dúzia de participantes de peso. Mercados altamente regulamentados como o do Canadá tendem a preferir alguns grandes participantes, acrescentou ele.

A iminente legislação federal do Canadá também possibilitará que seus produtores exportem maconha para países onde o consumo do produto é legal, disse Bingham.

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A consolidação no setor de maconha tem se acelerado. Só neste ano, as fusões e aquisições já correspondem a mais do que o dobro do volume de negócios de todo o ano passado. Foram fechadas aquisições no valor de quase US$ 4 bilhões de janeiro até agora, de acordo com a Dealogic.

A compra do controle da MedReleaf, inteiramente paga em ações, avaliou os papéis da companhia em 29,44 dólares canadenses, o que significa um ágio de 18% em relação ao preço de fechamento das ações na sexta-feira. A Aurora controlará 61% da empresa resultante, e os acionistas da MedReleaf ficarão com a participação restante.

A Aurora, que afirmou que o negócio a ampliará sua capacidade de produção para 570 mil quilos de maconha ao ano, entrou numa onda frenética de compras no período que antecede a legalização do uso recreativo da maconha no mercado canadense.

As ações da companhia mais que triplicaram de valor nos últimos doze meses, na expectativa da mudança na legislação do Canadá. Isso permitiu que a empresa usasse suas ações como moeda para a realização de negócios que envolvem grandes quantias.

Calcula-se que o mercado de maconha do Canadá movimente 6,5 bilhões de dólares canadenses até 2020, de acordo com estimativas do CIBC, um dos maiores bancos do país, que prevê que os canadenses comprarão 800 mil quilos de maconha.

A rede canadense de supermercados Loblaw, de grande porte, estará entre as varejistas autorizadas pelo governo para vender maconha para uso recreativo, num momento em que companhias tradicionais que teriam fugido desse segmento no passado, agora estão muito interessadas no avanço do mercado de maconha.

A título de comparação, as vendas de bebidas alcoólicas no Canadá movimentam cerca de 5 bilhões de dólares canadenses. Esse foi um dos fatores que explicam a recente aquisição, pela Constellation Brands, a cervejaria produtora das marcas Corona e Modelo, de uma participação de 9,9% na produtora canadense de maconha para uso medicinal Canopy Growth, que foi avaliada em US$ 6 bilhões.

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A Canopy, que foi a primeira a abrir seu capital no Canadá, disse ontem que lançará ações na Bolsa de Nova York. Estão entre os outros grandes participantes do mercado de maconha canadense a Aphria, com um valor de mercado de 2,4 bilhões de dólares canadenses, e o Cronos Group, cuja capitalização é de 1,4 bilhão de dólares canadenses.

As vendas da Aurora dispararam nos últimos 12 meses. No mais recente ano fiscal da empresa, encerrado no fim de junho de 2017, a receita estava mais de 12 vezes maior em relação à registrada no ano anterior, e totalizava 18 milhões de dólares canadenses. Durante os três primeiros meses deste ano, as vendas alcançaram 16 milhões de dólares canadenses, numa alta de 38% sobre o trimestre anterior.

As ações da Aurora subiram menos de 1% ontem, para 8,12 dólares canadenses, após a empresa anunciar a transação. A cotação atribui à companhia um valor de mercado de US$ 3,5 bilhões.

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