Executivos da indústria farmacêutica são responsáveis pela epidemia de opioide nos EUA

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É a primeira vez que se instaura um processo em que executivos de uma distribuidora farmacêutica e a própria distribuidora são acusados de tráfico de drogas, de traficar as drogas que estão estimulando a epidemia de opioide, que segundo a promotoria, está destruindo os EUA. Com tradução de Henrique Oliveira as informações são da NBC News.

Os ex-executivos da Rochester Drug Co Operative, uma das 10 maiores distribuidoras de remédios, foram presos como responsáveis pela epidemia de opioide nos EUA. Laurence Doud III e William Pietruszewski são acusados de conspiração por violarem a lei de narcóticos e fraude. Segundo o procurador de Nova York, Geoffrey Berman, os executivos distribuíram remédios controlados a farmácias particulares e não fizeram o registro em relatório para a Drug Enforcement Administration (DEA).

É a primeira vez que se instaura um processo em que executivos de uma distribuidora farmacêutica e a própria distribuidora são acusados de tráfico de drogas, de traficar as drogas que estão estimulando a epidemia de opioide, que segundo a promotoria, está destruindo os EUA. “Nosso oficial vai fazer qualquer coisa no seu poder para combater esta epidemia, dos vendedores de rua aos executivos que ilegalmente distribuem drogas a partir das suas salas de reuniões”.

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#PraCegoVer: Fotografia mostra Laurence Doud III sendo conduzido, algemado, por dois agentes.

A Rochester Drug Co Operative é acusada de entre 2012 e 2016, distribuir dezenas de milhares de doses de Oxicodona, Fentanil e outros opioides para farmácias que não tinham autorização de vende las. A promotoria diz que a Rochester Drug Co Operative, violou as políticas de fiscalização da DEA, e distribuiu drogas as farmácias que estavam recebendo prescrições de substâncias controladas, emitidas por médicos que agiam fora das práticas legais, segundo as investigações da DEA.

A Rochester Drug Co Operative distribuiu substâncias controladas para farmácias investigadas pela DEA, sob a direção de Doud III, a empresa farmacêutica contratou farmácias que havia rescindido contrato com outras distribuidoras. Os próprios funcionários da Rochester Drug Co Operative descreveram alguns dos clientes da companhia como as farmácias particulares que estavam sendo investigadas pelo DEA.

De acordo com a queixa criminal, os ex – executivos de forma intencional mantiveram atividades ilegais com as farmácias consideradas suspeitas pelo DEA, temendo perder potenciais clientes. A companhia identificou 8.300 encomendas potencialmente suspeitas, incluindo mil encomendas de Oxicodona entre 2012 e 2016, mas apenas relatou oficialmente quatro. Naquele tempo, as vendas de Oxicodona pela Rochester cresceu quase nove vezes, de 4,7 milhões para 42 milhões, disse o promotor. A venda de Fentanil aumentou aproximadamente de 63 mil dosagens em 2012, para mais de 1,3 milhões em 2016.  Segundo o procurador Berman, “Doud se preocupava mais com o lucro da empresa do que com as leis destinadas a proteção da vida humana”.

A empresa anunciou que entrou em um acordo no caso criminal e no caso civil. A Rochester tem acordo para admitir as acusações e se submeter a supervisão por um monitor independente, para reformar seu programa baseada na lei de narcóticos e pagar uma multa de 20 milhões. Jeff Eller, porta voz da Rochester Drug, declarou que a empresa entende que cometeu erros e que este erro causou serias consequências. Um elemento da epidemia de opioide é um aumento no volume de prescrições de opiodes e demais narcóticos. Ainda segundo a porta voz da Rochester Drug “De 2012 a 2017 nós não tivemos um sistema adequado, nem a nossa equipe estava em conformidade as práticas rigorosas que eram suficientes para fornecer um controle necessário e supervisão sobre o aumento da demanda por produtos narcóticos nas farmácias. Uma nova equipe de gestão foi colocada no lugar em 2017, e começamos a fazer mudanças significativas com foco na implementação de controle de primeira classe”.

#PraCegoVer: Fotografia mostra William Pietruszewski sendo conduzido, algemado, por dois agentes.

Henrique Oliveira é historiador e militante antiracista contra a proibição das drogas