Aumento dos riscos de problemas cardíacos relacionados ao uso da maconha é limitado, diz estudo

 Aumento dos riscos de problemas cardíacos relacionados ao uso da maconha é limitado, diz estudo

Um novo estudo afirma que os usuários de maconha correm três vezes mais riscos de apresentar problemas cardíacos do que os não usuários. Porém o estudo tem algumas limitações, inclusive a que define usuário como qualquer um que já experimentou a droga. Leia e entenda mais no texto publicado na Business Insider.

Um novo estudo afirma que usuários de maconha correm um risco três vezes maior de morrer por hipertensão do que não usuários. Apesar de soar alarmante, esse estudo como todos os outros tem limitações. Como, por exemplo, o fato de considerarem como usuários de cannabis qualquer pessoa que já tenha provado a droga, sem necessariamente analisar a frequência destes usuários, outro ponto são as procedências das maconhas utilizadas no experimento, sendo muitas destas irregulares. Entretanto, o estudo esclarece algumas informações importantes de como a maconha pode agir no seu coração e aqui está o que você precisa saber:

Em um depoimento, a principal autora da pesquisa e estudante de doutorado em epistemologia e biostática na universidade de Georgia State Universety, Barbara Yankey, declara que : “Encontramos nos usuários de maconha um risco muito maior de morte por hipertensão e esse risco aumenta com cada ano adicional de uso”.

Para sua pesquisa publicada na quarta-feira, no European Journal of Preventive Cardiology, Yanke utilizou os dados entre mais de 1.200 pessoas com idade a partir de 20 anos que tinham sido recrutados em um grande estudo nacional de saúde.

Em 2005, os pesquisadores perguntaram a estas pessoas se algumas delas já tinham usado maconha ou haxixe, as que responderam sim eram consideradas usuárias e as que disseram não, não usuárias.

Os pesquisadores então compararam essas respostas com as estatísticas do US  National Center for Health sobre morte por todas as causas, e a ajustaram para eliminar qualquer fator que atrapalhasse os resultados, como gênero, raça ou histórico de fumante de tabaco.

Em geral, aqueles classificados como usuários de maconha tem 3,42 vezes mais chances de morrer de hipertensão ou pressão sanguínea alta do que aqueles que disseram nunca ter usado. Os riscos também sobem 1,04 para o que os cientistas chamaram de “cada ano a mais” de utilização.

Mas aqui está o problema: os  autores da pesquisa definiram qualquer pessoa que já provou em algum momento maconha como um usuário regular.

Outro estudo sugere que isso torna a pesquisa equivocada, pois de acordo com esse novo estudo 52% dos americanos já haviam provado cannabis em algum momento, porém apenas 14% faz um uso regular e define esse uso como “pelo menos uma vez ao mês”.

Outro ponto é que esse estudo foi observacional, o que significa que esse grupo de pessoas foi acompanhado de tempos em tempos onde era reportado o que acontecia com eles, então os pesquisadores não poderiam concluir a causa e o efeito – eles não podem dizer que fumar maconha causa pressão alta, somente que as duas coisas aparentavam estar ligadas. Os autores escreveram: “pelos nossos resultados, o uso de maconha pode aumentar o risco de morte por hipertensão”.

Um outro problema vem da natureza irregular, e altamente ilegal, do mercado de maconha. As pessoas usam uma ampla variedade do produto cuja concentração de componentes – visto que na maconha existem mais de 400, incluindo THC e CBD – podem diferir drasticamente o produto.

O diretor do Centro Lambert para Estudos de Cannabis Medicinal, Charles Pollack, que não estava envolvido no novo estudo, disse à revista LiveScience que existiam muitos tipos de maconha “sem padrão de qualidade”, o que “tornaria difícil de generalizar” os efeitos.

A maconha e o seu coração

Enquanto o estudo está longe de ser conclusivo, ele esclarece um importante risco à saúde que pode estar potencialmente ligado ao uso da maconha. Cientistas sabem dos efeitos da cannabis no coração, porém, por causa do limite em pesquisas disponíveis com a droga, fica difícil analisar como isso causaria doenças como pressão alta.

Por exemplo, de acordo com o National Institute on Drug Abuse, ingerir maconha aumenta a frequência cardíaca de 20 a 50 batimentos por minuto no período de 20 minutos a três horas após ser ingerida.

Mas após um recente depoimento da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina, dos EUA, concluiu-se que as evidências não são suficientes para apoiar ou refutar a ideia de que a cannabis poderia aumentar em geral o risco de ataque do coração, apesar de também achar algumas evidências de que usar a droga poderia ser um gatilho para o fenômeno.

Mas quando se trata dos efeitos da cannabis na pressão sanguínea, os resultados também são inconclusivos. Um estudo muito pequeno, por exemplo, achou um aumento significativo da pressão sanguínea logo após o usuário parar de usar a droga.

“A abrupta interrupção do uso de cannabis por um usuário de frequência diária pode causar um aumento significante da pressão sanguínea no subsistema deste”. Disse o pesquisador dessa pequena pesquisa.

E de acordo com a Mayo Clinic, usar cannabis pode resultar em uma diminuição, e não no aumento, da pressão sanguínea.

A diretora de pesquisa de cognição e neurociência em doenças de características aditivas do Center for Brain Health, Francesca Filby, e um professor associado da Escola de comportamento e ciências do cérebro contaram à Business Insider que o último estudo vai ser muito importante para futuras pesquisas e que as conexões que a pesquisadora encontrou “entre a morte por hipertensão e anos de uso de maconha indica sim uma relação’’ entre essas duas coisas. Mesmo assim, Filby diz que o estudo tem limitações que não podem ser ignoradas e diz que para estudos futuros deveriam se atentar também a outros fatores como o uso de outras substâncias, índice de massa corporal entre outros fatores que também podem afetar a saúde do coração devem ser levados em conta.

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