Especial eleições verdes 2016 – matéria #1

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No dia 2 de outubro, acontece o 1º turno das eleições municipais em todo país, onde os eleitores irão votar para prefeito e vereador. Com a popularidade nacional que a cannabis vem ganhando não seria estranho surgirem candidatos a favor da legalização da maconha e de uma mudança na política nacional de drogas. O Smoke Buddies conversou com alguns candidatos “verdes” que concorrem ao cargo de vereador para saber como anda a formação da chamada Bancada da Maconha e como ela poderá atuar na causa.

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Fernando “Profeta Verde” , candidato a vereador pelo PSOL em SP.

Aceitação política

Como se já não bastasse o estigma social que recai sobre a maconha, a maioria desses candidatos nos contou que há dificuldade de aceitação por parte dos partidos em lançar candidatos “verdes”, além do receio dos mesmos em não conseguir número suficiente de votos para eleição.  O candidato Fernando da Silva (PSOL/SP), mais conhecido como “Profeta Verde”, está se candidatando pela primeira vez na cidade de São Paulo que de acordo com ele …não havia nenhum candidato que fizesse algo pela maconha”. Ativista e organizador veterano da Marcha da Maconha/SP, Fernando enfatizou a importância da criação de uma Bancada da Maconha e apoia que todos partidos tenham candidatos “verdes”:

 

“…Enquanto estiver na mão desses caras [proibicionistas] vai continuar desse mesmo jeito que está. É foda, da medo, da nojo se meter, né? Queria mais que tivesse um cara do PSDB, um cara do PV, um cara do PT aqui em São Paulo defendendo a maconha” – disse Fernando.

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Mauro Leno, outro estreante como candidato a vereador pela cidade de Curitiba.

Dos 12 candidatos “verdes” levantados por nós, a grande maioria é filiado ao PSOL, totalizando 10 dos 12 e com candidatos em mais de 4 cidades. Os dois candidatos “verdes” restantes são filiados um ao PV-MG (Raulin do Chá) e outro ao PSDB-SC (Lucas de Oliveira).  Na cidade de Curitiba, o candidato Mauro Leno (PSOL/PR – foto à direita), nos contou que não há dentro da política curitibana políticos contrários a proibição das drogas.  Mauro, que é sócio da revista SemSemente e será candidato pela primeira vez, chamou de “mola de resistência” essa chegada de candidatos que apoiam explicitamente a legalização da cannabis.

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Infográfico: Lucas Tavares/redação Smoke Buddies.

O eleitorado careta

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Linna Ramos, candidata a vereadora na cidade de Salvador.

Além do preconceito dentro dos partidos, outra grande dificuldade que estes candidatos irão encontrar nessas eleições será em como atingir os eleitores não maconheiros. A candidata novata Linna Ramos (PSOL/BA), maconheira assumida é candidata na cidade de Salvador e começou a se envolver com política na universidade. Agrega em sua campanha políticas que buscam atingir todo município, em especial a periferia de Salvador, região da cidade que mais sofre com a proibição das drogas.

A especificidade da minha candidatura é o recorte social, né? É necessário dizer que a política de drogas [vigente] é uma política racista, sabe?…ela é uma questão de vida pra negritude então isso pra mim é um ponto de resistência…senti que é o momento.”

Do lado dos veteranos, Lucas de Oliveira, candidato na cidade de Florianópolis e apelidado pelo Fernando Henrique Cardoso como “Presidente THC”, é o representante do PSDB a apoiar a legalização. Lucas, que é fundador do Instituto da Cannabis, teve sua candidatura prejudicada em 2012 por conta de 11 processos e teve todo seu material de campanha apreendido. Na campanha deste ano, Lucas saiu do personagem canábico e não está utilizando nenhuma imagem relacionada a erva, apenas o número 420 e adicionou seu nome, Lucas de Oliveira, junto ao “Presidente THC”. Ele nos explicou que mesmo seu coração ainda sendo “verde” é necessário cativar também outra parcela da população, pois ele já possui um eleitorado fiel em sua cidade e é necessário dialogar com outras pessoas, que de acordo com ele: “…se eu coloco ela [maconha] na frente eu não consigo falar mais nada…”.

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Foto de capa da rede social do candidato Lucas de Oliveira, o”Presidente THC”, que este ano retirou a cor verde e a folha de maconha de sua campanha, usando apenas o número e apelido.

Sobre receber críticas com relação a estar usando a maconha para conseguir votos, Mauro Leno (PSOL/PR-Curitiba), nos disse que quando encontra alguém com essa pergunta é necessário explicar de onde vem a questão da cannabis e como ela está interligada ao município.

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NORML – National Organization for the Reform of Marijuana Laws.

O vice-diretor da ONG norte-americana, NORML, Paul Armentano, cuja organização atua politicamente para mudar as leis da maconha nos Estados Unidos, contou ao Smoke Buddies que o tema da legalização da maconha é “…antes de mais nada um problema social e que sua criminalização fere liberdades cíveis, influencia práticas ilegais, além de prejudicar classes mais baixas da sociedade e impedir avanços em pesquisas sobre o uso medicinal da cannabis”.

Fiquem ligados que ainda esta semana traremos mais dois Especiais “Eleições Verdes 2016” contando como anda a formação da chamada Bancada da Maconha e como ela poderá atuar na causa. 

Clique aqui e conheça mais sobre os candidatos “verdes”das Eleições Municipais 2016.

Acompanhe a série especial Eleições Verde 2016:

Especial eleições verdes 2016 – matéria #2

Especial eleições verdes 2016 – matéria #3

Arte de capa: Lucas Tavares/redação Smoke Buddies.

 

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Sobre Leo Sativa

Produtor de conteúdo cannábico e fumador da @DjascoLibre - sativaleo@gmail.com