Espanha: Legalização total da maconha será debatida pelo Congresso

cultivo maos vegetativo Espanha: Legalização total da maconha será debatida pelo Congresso

Um enorme mercado ilegal de maconha se expande na Espanha, onde 84% da população são favoráveis à legalização do uso medicinal. Congresso debaterá em março proposta de regulamentação.

O Congresso da Espanha discutirá em março o primeiro projeto de legalização da cannabis, seguindo a iniciativa apresentada pelo o partido anti-austeridade Podemos, que reacendeu o debate sobre a maconha no país.

Em um país onde quase um terço da população fumou haxixe em algum momento de sua vida, a política ignorou a questão até o final do ano passado, quando o Podemos avançou as diretrizes de um projeto de lei para a legalização “integral” da cannabis. “Um regulamento em todas as suas fases para todos os seus usos”, explicou Txema Guijarro, secretário do Podemos, ao Espana Pitirre. “O ponto de partida é a saúde pública, porque o combate às drogas não tem sido eficiente: os níveis de consumo aumentam em todas as idades”.

A maconha (ligada ao haxixe nos dados oficiais de consumo) é a droga ilegal mais consumida na Espanha, onde 11% da população admitiram ter provado no último ano, segundo a última Pesquisa sobre Álcool e outras Drogas na Espanha (Edades) do Ministério da Saúde. Todos os dias, 2% da população espanhola fumam maconha juntas, mas os 120 mil pacientes que usam cannabis para fins medicinais, de acordo com o OECM (Observatório Espanhol da Cannabis Medicinal), a consomem em vaporizadores, óleos e cremes com o ingrediente ativo THC. E independente do propósito do consumo, a aquisição da planta necessita de ser feita no mercado negro, sempre em ilegalidade.

Em um documento interno, o Podemos estima que o mercado da cannabis legal movimentaria cerca de 1,5 bilhão de euros no primeiro ano, para mais de 2,0 bilhões por ano, após cinco anos. “Nós tiramos do exemplo do Colorado (EUA), que tem vários anos de regulação da cannabis”, explicou Guijarro.

Legalização de um mercado gigantesco

Mais de 10.000 indivíduos foram presos por tráfico de cannabis em 2017, de acordo com estatísticas do Conselho Geral do Judiciário da Espanha, e 34 toneladas de maconha e 335 toneladas de haxixe foram confiscados. Produtos médicos também foram apreendidos, como os óleos de cannabis (6 quilos, 60% a mais que no ano anterior). Segundo o Ministério do Interior, em torno 50 organizações se dedicam ao tráfico da planta no país.

As sementes de maconha não são ilegais na Espanha, uma vez que não contêm ingredientes ativos. Logo, as organizações podem ter enormes quantidades de sementes para plantar, sem representar um risco ou ter a necessidade de obtê-las clandestinamente.

Na Espanha, de acordo com o CIS (Centro de Investigações Sociológicas), 84% dos cidadãos são favoráveis ​​à legalização da maconha para fins terapêuticos e 47% defendem a legalização de todos os usos, incluindo o recreativo.

Há poucos dias, moradores do distrito de Granada, no norte do país, saíram às ruas devido a cortes de energia que sofrem quatro a cinco vezes por dia em seus bairros, segundo publicou o El País. Eles culpam as inúmeras ligações ilegais nas vilas onde a maconha é cultivada. Granada tornou-se um epicentro das plantações. Um passeio por alguns bairros no norte da cidade é o suficiente para se perceber que o cânhamo faz parte do ambiente da região.

Vimos também em La Voz de Galicia.

#PraCegoVer: fotografia (de capa) em vista superior de uma planta de maconha em período vegetativo sendo tocada por duas mãos que vêm de cima da foto; em todo o restante da foto pode-se ver as diversas outras plantas do cultivo. Créditos da foto: AP.