Empreendedores da maconha focam no bitcoin enquanto os bancos fogem deste negócio

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Quando os bancos e instituições financeiras dizem “não” para os bilhões de dólares que giram a roda do mercado canábico dos EUA, a moeda digital entra em cena! Entenda de que forma isso pode ajudar os empreendedores verdes do país. As informações são da Bloomberg, via InfoMoney.

As empresas da indústria da cannabis estão recorrendo à moeda digital mais popular do mundo para tentar se livrar de uma montanha de dinheiro vivo.

A falta de acesso às instituições financeiras tradicionais é um dos maiores obstáculos à indústria da maconha. A cannabis legal era um setor de US$ 6 bilhões no ano passado que deverá atingir US$ 50 bilhões até 2026, segundo a Cowen & Co. Mas como a maconha é ilegal segundo a legislação federal dos EUA, os grandes bancos e as empresas de cartões de crédito mantêm distância. Isto tem forçado a maioria dos vendedores a aceitarem apenas dinheiro, o que representa uma dor de cabeça logística e uma constante ameaça de segurança.

Leia: Economia da maconha legalizada é forçada à ilegalidade nos EUA

É aí que entra o bitcoin, a moeda criptografada que consiste em moedas digitais “mineradas” por computadores que resolvem problemas matemáticos cada vez mais complexos. Pelo menos duas startups de tecnologia financeira, a POSaBIT e a SinglePoint, estão usando a moeda criptografada como passo intermediário para permitir que os usuários de maconha utilizem seus cartões de crédito emitidos por bancos para comprar a erva.

“Não existe nenhum setor — seja na produção e venda de cannabis, seja na produção e venda de uma xícara de café — capaz de operar de forma segura, transparente ou efetiva sem acesso a bancos ou outras instituições financeiras e serviços tradicionais”, disse Jon Baugher, cofundador da POSaBIT, cuja tecnologia é usada por 30 dispensários no estado de Washington. “Foi aí que pensamos que poderíamos tirar vantagem do uso da moeda digital.”

A Trove Cannabis, uma das lojas de Washington que utilizam POSaBIT, vendeu US$ 3 milhões em maconha no ano passado — em dinheiro — e realiza cerca de 3.000 transações por semana. A Trove virou cliente do aplicativo da POSaBIT em fevereiro após seis meses em uma lista de espera, segundo Yin-Ho Lai, fundador e CEO da Trove. Desde então, cerca de 13 por cento dos clientes escolheram pagar com cartões de crédito ou débito, disse Lai, e estas pessoas tendem a gastar mais.

O sistema funciona assim:

Depois que o cliente decide qual produto de maconha comprar um funcionário pergunta se ele gostaria de usar dinheiro ou moeda digital, disse Lai. Se o comprador prefere a segunda opção, o funcionário da Trove explica que o cliente pode usar um cartão de crédito para comprar bitcoins por meio de um quiosque da POSaBIT, com uma taxa de US$ 2 por transação incluída.

O cliente, que agora teria uma quantia em bitcoins equivalente ao valor da compra, pode resgatar a moeda na loja. Outra opção é guardar bitcoins para usar em qualquer outro lugar que aceitar a moeda. Se o cliente decidir finalizar a compra na loja, a POSaBIT, que embolsa a taxa da transação, envia o valor em dólares americanos à conta bancária da Trove.

A POSaBIT afirma que adotou medidas para cumprir as leis federais e estaduais que regulam as vendas de maconha e as moedas digitais. Por exemplo, os clientes precisam apresentar um documento de identidade válido que é escaneado, criptografado e armazenado. Os compradores têm um limite de compra de US$ 150 em bitcoins para evitar lavagem de dinheiro. A companhia também possui um programa de detecção de fraudes de nove pontos desenvolvido para frustrar a ação dos criminosos e exige que seus clientes no varejo tenham uma conta bancária, o que não é necessariamente comum na indústria da cannabis.

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