Cultivo caseiro de maconha ainda é a melhor opção para o usuário

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O usuário medicinal, assim como o recreativo, que não quer se sujeitar à maconha do mercado ilícito que pode conter outras substâncias como pesticidas altamente tóxicos ou não pode pagar os altos preços dos medicamentos disponíveis no mercado ainda tem no cultivo doméstico a melhor opção. Entenda mais sobre o tema na entrevista de um cultivador para o Yahoo.

Por Maria Teresa Cruz

A casa onde vive Jorge*, que será assim chamado, porque até gostaria, mas não pode se identificar, fica na Grande São Paulo. Um local que parece uma espécie de chácara, muito agradável, arborizado, com horta, cães e galinhas. A música mais tocada por lá é o canto das inúmeras espécies de pássaros. Ele e a companheira me convidam para entrar e servem uma xícara de café. De cara já me explica por que começou a plantar. “A maconha que eu fumo não é suja. Nem por pesticida, nem pelo tráfico”, afirma. “Você pode comer um tomate que tem agrotóxico e o que não tem, por exemplo. É o mesmo com a maconha. E temos o mercado que quer lucrar. Então se o cara puder usar o veneno mais potente e o antimofo mais forte, por pior que faça, ele vai fazer isso”. O abuso do mercado paralelo também incomoda Jorge. “O grande problema é que os caras vendem por 100 um produto que vale 10. É injusto”, explica.

Aos 41 anos, conta que fumou o primeiro baseado ainda adolescente, quando encontrou nas coisas do irmão mais velho e, na ocasião, achou que não tinha qualquer efeito. “Eu sempre tive muito problema com enxaqueca, tinha umas 3 crises por semana. Mas aí eu comecei a perceber que quando eu estava fumando, não tinha dor de cabeça na semana. Eu nunca mais tive enxaqueca forte como antes, de vomitar, de ficar deitado. Eu tenho umas duas dores de cabeça por mês, bem de leve. Para mim funcionou muito”, conta.

O primeiro pé de maconha também surgiu ainda na adolescência. “A gente ganhou uma semente havaiana, de um amigo surfista, a gente plantou e deu. De lá até hoje não entendo por que as pessoas não plantam”, afirma, explicando que a planta da maconha exige cuidados bem básicos. A rega, por exemplo, não tem muita regra. “Eu levanto o vaso, se sinto que está pesado, é porque ainda tem água”. Jorge afirma que se um dia liberar vai plantar mais alguns pés. “Mas não tantos. Porque meu intuito não é vender. Eu teria que me dedicar a isso e não é o caso”, explica Jorge, que planta para consumo próprio. Ele conta que, aos finais de semana, às vezes, reúne amigos que também fumam para confraternizar e trocar essas experiências de cultivo.

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‘A maconha não é liberada porque muita gente lucra com a proibição’: o relato de quem planta a erva há 25 anos. Foto: Maria Teresa Cruz.

Os pais de Jorge nunca aceitaram bem o hábito de fumar um baseado. “Diziam que eu não ia dar certo na vida. Hoje viram que erraram feio na previsão”, afirma. A mãe da companheira dele segue a mesma linha proibitiva. O sogro dele é o único que trata o hábito com naturalidade e, inclusive, já esteve em festas na casa dos dois.

Hoje, Jorge tem 3 vasos de maconha (foto) que ficam na área externa da casa, apoiados em uma estrutura de madeira. O caule de uma delas estava danificado. “Deve ter sido um dos cachorros. Mas a planta é forte, ela recupera. Você não precisa de muito esforço para plantar. É jogar na terra que nasce. É impressionante”. Jorge faz uma espécie de rodízio com os vasos, para garantir ter mensalmente quantidade de maconha para “fumar um fininho” todo dia. Cada uma das plantas dá de 10 a 15 gramas de maconha. “Eu tiro ela toda, coloco para secar, o que depende do tempo, mas em dias de calor como esses, demora uns 4 dias. Essa planta aqui me dá condições de fumar um baseado de meio grama todo dia. O que é o suficiente para mim. Aí ela mesma dá, de vez em quando, uma sementinha. Olha dentro dessa bolinha aqui, é uma semente”, aponta Jorge.

No dia em que visitamos a casa de Jorge, o pé de maconha maior, que iria estar pronto para a secagem em menos de duas semanas, tinha aproximadamente um metro, mas ele conta que a planta tem capacidade de expansão, se houver espaço. “Há pés de maconha que ficam altos, cheios. Uma planta grande de maconha dá uns 3 quilos de erva, para você ter uma ideia”, explica.

A maconha de Jorge tem predominância de CBD (Canabidiol) e não de THC (Tetrahidrocanabinol), o que faz uma diferença grande, tanto do efeito, quanto nas propriedades medicinais possíveis de serem extraídas da planta. “Um conhecido da área médica que tem trabalhado com pesquisas nesse sentido, veio fazer a testagem da minha maconha e deu CBD”, conta. As pesquisas mais recentes indicam, de fato, que o CBD é o extrato necessário para produção de medicamentos. Jorge, aliás, quando tem alguma sobra de erva, já chegou a fazer o óleo e doou para pessoas que conhece e que tratam doenças como epilepsia. “Tem uma menina que tinha 60 convulsões por dia. Pense nisso. São 5 por hora. Uma ampola desse óleo no mercado custa o que? 800 reais? Ela precisaria de uma quantidade por mês que geraria um gasto de algo em torno de 4.800 reais. Dá pra fazer em casa esse óleo. Eu misturo no álcool, espero evaporar, aí coloco azeite nesse extrato que fica decantado”, mostra. O resultado das doações de Jorge: a jovem tem uma convulsão a cada dez dias. “É um crime a proibição da maconha”, diz.

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 Jorge orienta e até monta estufas para conhecidos que querem plantar e não tem um espaço privilegiado como o dele. “A estufa dá até 12 pés pequenos de maconha. É ideal para apartamentos, por exemplo, porque você regula a iluminação. A luz artificial ou a falta de ventilação vão prejudicar, sim, o crescimento da planta. Na estufa é um ambiente controlado. E é simples: um armarinho desses de duas prateleiras de ferro, a gente veda com plástico. No pavimento de baixo, que é para crescer, colocamos uma luz mais fraca. E no de cima, para florescer, uma luz um pouco mais forte”, explica didaticamente, mostrando algumas fotos de amigos.

Sobre a política de drogas atual vigente no Brasil, legalista e proibitiva, Jorge aponta para a hipocrisia que domina os discursos dos leigos e dos que têm algum interesse. “A maconha não foi liberada ainda, porque tem muita gente lucrando com isso. Não penso que passe pela moral, não. Indústria farmacêutica, o mercado das hard drugs [cocaína] e, como consequência, grandes empresários. Está comprovado: países que liberaram a erva, viram os níveis de consumo de álcool e outras drogas mais pesadas caírem. O consumo da maconha se mantém estável”, aponta Jorge, desmistificando a ideia de que liberar estimularia o aumento do uso da droga. “A liberação da maconha quebraria monopólio, porque como estou te dizendo, é uma planta fácil de cultivar”, explica. “Acha mesmo que se não fosse necessário, a pessoa iria numa favela, numa boca de fumo, para comprar um baseado? Claro que não. Plantaria com certeza. Só vai porque não vê alternativa”, diz.

Para ele, contudo, o modelo ideal de liberação não se assemelha ao do Uruguai. “Acho bem complicado esse lance de o Estado reter os dados dos cidadãos, quanto usa, onde vive, o que faz. Pensando em Brasil, para quem venderiam esses dados? E se o governo mudasse de uma hora para outra?”, provoca. Jorge defende que a liberação deveria ocorrer no sentido de estimular as produções próprias, pequenos produtores e, claro, a regulação urgente para o uso medicinal. “É uma loucura. Hoje em dia você precisa de salvo conduto para plantar, ainda que atestada necessidade. Funciona da seguinte maneira: o médico constata a necessidade, aí você planta na sua casa primeiro e depois aciona o ministério público e informa à Justiça que está plantando. Aí a Anvisa e a PF vão na sua casa e verificam se está tudo certo. A partir desse momento, você tem um habeas corpus preventivo. Você vira um criminoso livre”, afirma. “Eu nunca fui preso, tenho trabalho fixo e, no entanto, também tenho que me esconder. Também sou um criminoso, há 25 anos”, desabafa.

*o nome fictício é para proteger a integridade do entrevistado

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