GanjaPreneurs: Como estabelecer uma conversa com o consumidor de cannabis

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No ramo da maconha, os empreendedores que quiserem obter sucesso no posicionamento de sua marca no mercado devem entender o seu público-alvo e saber que os consumidores de cannabis não se enquadram em um único estereótipo: nem todos os usuários são fãs de Bob Marley ou ativistas pela causa. Saiba mais sobre o tema no texto do ganjapreneur João Paulo Costa.

– É importante partir da ideia de que os consumidores de cannabis não têm as mesmas características, nem pertencem aos mesmos grupos sociais.

– Entender o público-alvo e posicionar sua marca no mercado de cannabis de maneira eficiente vai além de considerar que todos os entusiastas da cannabis vão se interessar pelo seu produto.

– Mesmo depois de muito avanço, ainda existe a ilusão de que o consumidor de maconha se enquadra em um estereótipo. As marcas e os profissionais sustentam, dessa forma, um estigma que, paradoxalmente, estão tentando eliminar.

– Técnica para desenvolvimento de projetos empreendedores canábicos: Get Out Your Building – dê a cara a tapa e busque opiniões isentas e objetivas sobre sua ideia.

– Os feedbacks do seu público-alvo dizem muito sobre como você posiciona sua marca – se o público que você quer atingir não fala sua língua, é um sinal de que você precisa rever sua estratégia, seu target ou sua comunicação.

Nunca foi tão importante entender o público-alvo e posicionar sua marca no mercado de cannabis de maneira eficiente. A exemplo da indústria do álcool, onde existem diversos perfis demográficos que consomem essa substância, com a cannabis não é diferente – os consumidores não têm as mesmas características, nem pertencem aos mesmos grupos sociais.

Existe a ilusão de que o consumidor de maconha se enquadra em um estereótipo. As marcas e os profissionais sustentam, dessa forma, um estigma que, paradoxalmente, estão tentando eliminar. A premissa de que os consumidores de maconha são homens, héteros, que gostam de Bob Marley e Che Guevara, que são ativistas, cultivam a própria planta e que vivem no porão dos pais jogando videogame já deveria ter sido superada. Além de um tremendo erro, enquadrar o público-alvo do mercado canábico em uma imagem alegórica do maconheiro é um desperdício.

Um dos principais motivos pelos quais isso acontece é que, no mercado ainda ilegal, os consumidores ainda não se mostraram – eles se escondem em suas casas, seja pelo medo de uma repressão legal, seja para evitar ser rotulado. E, nessa, quem costuma vir a público e se mostrar como consumidor é quem está apto a se expor, mas que não representa o consumidor na sua totalidade.

Logo que comecei a empreender no mercado da cannabis, usei algumas técnicas para o desenvolvimento de meus projetos. Uma das mais efetivas, que gostaria de destacar aqui, é a de simplesmente sair de casa ou do escritório para conversar com diferentes pessoas sobre o projeto – estranhos têm mais inclinação a te falar a verdade sobre sua ideia. Ou você acha que seus amigos vão te falar o quão errado você está?

Vou dar um exemplo bem específico. Durante o desenvolvimento do Who is Happy, uma rede social para consumidores de cannabis pelo mundo, eu estava morando em Londres e costumava marcar encontros com pessoas para mostrar meu projeto e conversar sobre as minhas ideias.

Era muito engraçado, porque os europeus, em geral, ficavam maravilhados pelo projeto, sorriam e falavam que a ideia era sensacional. Mas, quando ligava para o Brasil para contar sobre o mesmo projeto, o feedback era sempre negativo. “Você vai ser preso” ou “vai apresentar onde as pessoas estão consumindo” eram as frases mais estimulantes que ouvia dos brasileiros.

E, sabe de uma coisa? Embora na hora tenha sido desconfortável receber um balde de água fria sobre minhas ideias, esse feedback foi importante para o desenvolvimento do app, pois percebi que o consumidor de cannabis que eu tinha dentro da minha cabeça não fazia sentido com a realidade. Dessa forma, comecei a estruturar meus projetos de uma maneira diferente, buscando aquele consumidor que está esquecido em casa, que ninguém sabe como comunicar de maneira efetiva – e essa mudança foi essencial para o sucesso dos meus projetos canábicos.

O posicionamento de uma marca tem uma relação direta com o público-alvo que se deseja atingir. Focar simplesmente em consumidores de cannabis não é se posicionar no mercado, porque há tantos tipos de consumidores que fica impossível misturá-los no mesmo balaio. Se você quer saber mais sobre esse assunto e outras informações sobre o mercado da cannabis? Inscreva-se gratuitamente no Especial Empreendedorismo Canábico Ganja Talks e tenha acesso a um conteúdo focado no assunto. Saiba mais em http://www.ganjatalks.com.br/empreendedorismo-canabico.

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Fotografia de capa: Ganja Talks.
Fonte: Ganja Talks

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Sobre João Paulo Costa

João Paulo Costa (CEO) é um genuíno ganjapreneur. Formado em Publicidade e Propaganda e em Produção Audiovisual e especializado em Documentário e Produção Executiva, aos 21 anos desenvolveu uma das primeiras empresas de mídia indoor do Brasil, a TV Buteco, focada em conteúdo audiovisual para comércios como bares e baladas, o empreendedor também foi um dos criadores do aplicativo Pergunter, rede social acelerada pela Startupbootcamp Copenhagen, considerada a melhor aceleradora da Europa. Atualmente é co-fundador e CEO do Who is Happy, uma rede social para consumidores de cannabis convidada para participar do processo de aceleração da CanopyBoulder, empresa americana focada em investir em ideias canábicas inovadoras e do Ganja Talks, estúdio de comunicação que produz conteúdo e experiências para consumidores de cannabis.