Chorão na Greenlândia

Era um lugar estranho. Não dava pra saber se era o céu ou o inferno. Chorão começou a dar uns roles por aquelas ruas e foi quando deu de frente com Bob Marley. Viu que tava forte o cheiro e da cabeleira e pensou: ‘Dread fedido da porra’.

– Eae, seu Bob. Tô percebendo já que eu morri mesmo. Onde eu to, sabe me dizer? Pra encontrar com você deve ser o céu, certo?

– Não, Alexandre. Aqui é um lugar diferente. É a Greenlândia.

– Pode me chamar de Chorão mesmo. Porra. Style morrer e vir parar na Greenlândia. Bom, vou dar mais um rolê por aí, demoro? Pode pah, Bob.

– Tamo junto, Chorão.

E, voltou a caminhar por aquele lugar. Começou a reparar que não existiam árvores naquele lugar. Apenas pequenos arbustos de uma velha e conhecida planta: cannabis.

Viu encostados no muro Cazuza e Freddie Mercury. Os dois se agarravam e cantavam:

– Eu tô pedindo a tua mão e um pouquinho do BRAÇO. Duas bibas felizes no rolê da Greenlândia.

Andou mais um pouco e deu de frente com John Lennon, que tava com cara de choro.

– Chorão, cê não trouxe a Yoko não, cara? Não aguento mais. Não aguento mais. Vou morrer no haxixe mesmo.

– Pow, velho. Desculpaê, nem sabia que era pra dar um toque pra ela. O Chapman lá não pode te ajudar?

– Quem? O Fábio Chap?

– Não, mano. O Mark Chapman. O que te matou, porra.

– Ah, pode crê. Até tentei fazer uma comunicação com ele através da Umbanda, mas o sistema tava beta ainda.

– Bom, tô indo nessa, Lennon Man . Se cuida aí, irmão.

– Demorô.

Chorão andou por aquele vale e continuava satisfeito de encontrar tanta gente interessante, até um neto bastardo do seu bisavô. O nome do cara era Renato. Fizeram um som juntos e Alexandre Chorão deu área novamente.

Num jardim bonito e bem verde ele encontrou Raul Seixas e Janis Joplin com o olho mais trincado que de norte-coreano com medo de míssil.

– Três vela seguida, Chorão? Aguenta?

– Não, hoje não, seu Raul. Licençae, dona Janis.

Chorão, ao se separar de todos que tinha encontrado, se deparou com um portão. Assim que parou na frente, um senhor de barba apareceu:

– Seguinte, meu filho. A Greenlândia é paga. Custa R$69,90 por mês. Te interessa ficar a eternidade aqui?

– Mas onde eu vou conseguir essa grana, Pedrão?

– Você pode trabalhar pra gente. Tamo contratando artista pra incorporar nos vivos e fazer umas experiências com eles.

– Acordo fechado. Eh noix. Mas, seguinte, eu não sei fazer isso, não.

– O Chico Xavier tem uma palestra incrível, Alexandre. Fique tranquilo…

Chorão apenas pensou:

“Que ácido foi esse que eu tomei. Deus do céu.” E essa dúvida permaneceu em sua mente. Será que ele havia morrido mesmo ou aquilo tudo era mais uma grande trip do seu Hofmann?

Nunca saberemos.

E a trip de quem escreveu isso tudo? Do que será que foi?

Conheça mais de Fábio Chap:
http://fabiochap.wordpress.com/

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