Che Cannabis nas andanças da ciência: Maconha em prosa e poesia

 Che Cannabis nas andanças da ciência: Maconha em prosa e poesia

A obra de Waldemar Valença Pereira, professor e mestre profissional em letras, vem alertar a sociedade sobre os malefícios que a proibição das drogas e o preconceito podem causar. Confira a entrevista que fizemos com professor Val Valença para saber mais sobre o livro “Pé de Maconha – Che Cannabis nas andanças da ciência”.

Enquanto a tendência seguida por vários países do mundo é de regulamentar o mercado da maconha, o Brasil ainda engatinha para uma mudança em sua lei de drogas, e diante desse cenário Che Cannabis vem explanar o quão absurdo é a proibição das drogas e chamar a todos para a Marcha da Maconha, somando forças à literatura canábica e ao ativismo como um todo.

Recomendamos a leitura da obra que através de prosa e poesia busca difundir a informação sobre a erva e incentivar o debate sobre a atual política de drogas brasileira. A primeira edição (série ouro) do livro esgotou suas vendas, porém Che Cannabis precisa de ajuda para publicar mais edições e continuar sua luta. Quer colaborar com o herói brasileiro da maconha e fazer parte dessa luta? Então entre em contato através do email checannabis@hotmail.com ou pelo número (79) 99600-2872.

Conversamos com o professor Val Valença para saber mais sobre o livro, sua opinião sobre a atual política de drogas brasileira e Che Cannabis. Leia abaixo a entrevista:

 Che Cannabis nas andanças da ciência: Maconha em prosa e poesia

Val Valença é professor e mestre profissional em letras (UFS).

Smoke Buddies: O que o motivou a escrever sobre a maconha?

Val Valença: Em uma parte do livro, exatamente na poesia, o Che Cannabis tem uma letra de música que diz: “Não faça isso, que eu te ajudo a sentir o absurdo”, eu me sinto motivado como o Che Cannabis, ou seja, doido para fazer minhas leitoras sentirem o absurdo. Acho que o que me motivou mesmo foi o feminismo, aprendi com Nísia Floresta, fiz site com essa poetisa que cantou os Caetés, tribo indígena brasileira hoje sumida. Isso ela fez no século XIX, já eu, no século XX e XXI, fiquei matutando esse livro que me coisava por dentro. Depois, com a experiência do mestrado, junto com minha orientadora e com a editora ArtNer, além dos amigos de cursos e professores-pesquisadores convidados, publiquei livros da Série Acadêmica duas vezes. Hoje participo de dois livros acadêmicos pela editora ArtNer: um na literatura poética em sala de aula, outro sobre a busca de estudos sobre o ethos na literatura sob a perspectiva da linguística.

Foi aí então que achei que tinha respaldo pra falar da maconha, pois via a beleza de Bob Marley e Peter Tosh, junto com o mestre Bunny Wailer. Me motivou escrever Che Cannabis e sobre a maconha foi a necessidade de comunicar ao povo brasileiro sobre o absurdo que é proibir as drogas, inclusive a maconha. Aprendi isso lendo um escritor norte-americano chamado Cris Conrad, devo muito a ele, mas devo mais ainda a uma coleção de autores: Nísia Floresta e Tobias Barreto, Mário de Andrade e Manuel Bandeira, Rolan Barthes e Edgar Morin e Claude Lévy Strauss, além de Carlos Drummond de Andrade. Tinha muito autor entrando no livro de Che Cannabis, tudo isso era motivação encarnada em literatura. Tinha muita gente simples entrando, gente desconhecida. Uns fazem cultura, Che Cannabis é contracultura, eu só vendo a gente com idade comprovada. Crianças não precisam ler Che Cannabis, pois quem me motivou foi o erotismo. Eu fui em busca de um novo herói para o povo brasileiro, na literatura, que pudesse ser evidente e científico, que pudesse falar com o status de mestre profissional, casado e feliz.

Che Cannabis, dentro de mim, foi quem me motivou. Deveria ser esta a resposta.

SB: Qual é o objetivo do livro?

Val: O objetivo do livro é promover entendimento para o público jovem. Meu objetivo foi resguardar uma geração inteira, se possível, do preconceito de achar que a maconha faz mal à saúde. Eu tenho pavor de ouvir eles dizerem que os argumentos contra a maconha são feitos por homens sérios. Eu tremo de medo diante disso. Uns colocam a culpa aqui ou ali, o Che Cannabis vai em busca da Marcha da Maconha. Então, vou dizer aqui pra nossos leitores e leitoras buddies que o objetivo principal do livro e da história de Che Cannabis existir corresponde ao mesmo intento de eu mesmo poder construir um herói maconheiro, no Brasil, e mostrar pra sociedade brasileira que todo maconheiro merece respeito, pois o maconheiro, ao seu lado, poderia ser um ótimo guarda e um maravilhoso professor de Língua Portuguesa, isso no século XXI, capaz de construir sites educacionais, para fortalecer o ensino público. Só isso, eu não juro! Kkkk.

SB: Quem é Che Cannabis?

Val: Che Cannabis se coloca na história como um cara esquizofrênico, eu não acredito que ele seja, pois nenhum médico disse isso. Sabe-se que ele passou por uma depressão dos infernos, mas isso acontece a qualquer bom cristão. Che Cannabis é um cara que, embora professor e guarda, em Sergipe, menor estado do mapa brasileiro, sonhou mesmo foi de ser cantor. E ele, quando tinha dezessete anos fazia poesia. O pior foi que, Che Cannabis estava preso, quando resolveu escrever a parte prosaica do livro (também publicá-la) e pediu ajuda a um personagem secundário chamado Val Valença, um alter-ego escamoteado do próprio autor, que sou eu.

Eu passei, na minha vida verdadeira, dez anos na cadeia, trabalhando de guarda e professor dentro e fora da prisão. Che Cannabis me chamou pra escrever essa obra, onde eu entro como um reles personagem secundário, há mais de vinte anos que isso de escrever um romance em prosa me bolinava, foi aí que resolvi catar meus versos e fazer um livro em prosa e poesia. 300 páginas dos dois, 150 de cada.

Em 2015, Che Cannabis me incomodou durante nove meses, mas digitalizou-se todinho em um só mês de 2016. Qual, não sei. Che Cannabis quer ser amigo de todos, embora seja cheio de defeitos e fique esbanjando todo o seu erotismo na linguagem, mais do que nos atos ficcionalmente vividos.

Então, digo que Che Cannabis é o protagonista mais louco que eu já conheci e complexado, mas é um ser humano lindo de coração, que busca medicar-se com a maconha. O Che vive com atos falhos, mas doido mesmo ele fica é só pra mostrar que pode vencer suas coisas esquizofrênicas com o uso da maconha e ser um cara feliz. O problema é que ele é um guarda do sistema prisional e o cerco irá fechar contra ele, envolvendo até a Polícia Federal.

Ele consegue? Eu acho que o sistema é muito forte, mas, se o leitor e a leitora não permitir que Che Cannabis vire pó, talvez, o verde possa ser legalizado no Brasil. Demora, mas um dia chega a hora de plantar mais amor às plantas medicinais em todos os países do mundo.

“Uma pessoa que diz não à maconha mostra-se uma pessoa desinformada.
Tem gente que precisa respeitar a liberdade do outro ser humano que deseja fumar um baseado ou tomar uma cachaça”.

SB: Você é usuário de maconha? Se sim, a maconha ajudou na inspiração?

Val: Eu dei um tempo. Hoje, no Brasil, a gente precisa deixar muita coisa no ar. Depois que eu casei, minha depressão foi embora, o Che Cannabis aconteceu em minha vida de iniciante na literatura e talvez derradeiro, sem patrocínio ou apoio. Resultado, a maconha me curou. Hoje defendo-a, sem precisar usá-la. Se viajar pra um país que legaliza, vou pensar no assunto. A maconha é um santo remédio, ajuda na criatividade humana. Muitas coisas que foram escritas, nesse livro, foram sob efeito de THC e muitas outras coisas escritas em Che Cannabis foram sob o efeito de refrigerantes artificiais e biscoitos. Eu penso que a criatividade mora na resina mental que nos liberta pelo verde cânhamo. Eu só de pensar que eu dei um tempo na maconha, fico me ardendo todo na poesia e na prosa, com vontade de ver a erva sagrada ser liberada e a cannabis brotar num pirulito que ninguém mais vai tirar do meu hábito. Fumar não acho que volto, pois depressão não mais me assola. No entanto, não sei se vou recusar, quando velhinho, a um gostoso pirulito bem apetitoso. Vivam os pirulitos de THC que existirão no futuro do Brasil.

SB: Em sua opinião, o que mais contribui para o preconceito quando o assunto é maconha?

Val: Eis uma grande pergunta que talvez não seja tão simples de responder. O preconceito era antes por falta de informação, mas na casa dos preconceituosos há informação de que a maconha faz bem, e essa informação está cada vez mais evidente contra os preconceituosos: maconha faz bem ao corpo e à alma e à mente. Uma pessoa que diz não à maconha mostra-se uma pessoa desinformada. Tem gente que precisa respeitar a liberdade do outro ser humano que deseja fumar um baseado ou tomar uma cachaça. Somos responsáveis pela luta contra o preconceito que machuca seres humanos pacíficos, fumantes de maconha para se distrair ou para se purificar, e precisamos assumir esse combate em Marchas da Maconha, em publicações de livros, gravações de músicas, pinturas de quadro, esculturas, e por aí vai…

SB: O que você pensa sobre a política de drogas e o rumo da legalização da maconha no Brasil?

Val: Assim como o Che Cannabis, eu penso que seria bom que houvesse um Pepe Mujica na presidência, mais vários Pepe Mujica no Senado e no Congresso e que o Brasil se tornasse um enorme Uruguai, legalizando o aborto e as drogas todas, ao menos, que liberassem a plantação de toda e/ou qualquer planta, sendo responsável pelas suas neuroses, suas psicoses, sua libido inteira. Eu, na verdade, depois que virei escritor, costumo dizer não ao tráfico, mas sim à legalização das drogas, entoando cantigas para mim, quando vou tomar banho e começo a cantar no chuveiro altas louvações para a literatura contribuir para a legalização das drogas no Brasil. Que as drogas sejam analisadas pelo aspecto da Saúde, apenas para os casos de defesas, devem ser acionados o aspecto da Segurança. Sabia não que eu canto no banheiro pra Deus ajudar o brasileiro a legalizar a natureza vegetal? Eu sou amigo do verde e só não entro na política porque não construíram um partido que combine com meu coração. Meu partido seria chamado de PML, Partido MÚSICA E LEITURA, não necessariamente nessa mesma ordem. Amo o Reggae que vai dar lá na Jamaica: yeah, Buddies, você venceu: Che Cannabis não sou eu e só se sabe mais, lendo-me.

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