Cannabis “made in” Brasil pode ser cala boca social, alerta paciente

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“Um produto não pode limitar as possibilidades terapêuticas da Cannabis a um CBD isolado ou sintético. Isso não atende a demanda de vários outros potenciais terapêuticos da Cannabis”, alerta Juliana Paolinelli sobre medicamento produzido por laboratório paranaense com lançamento previsto para 2019.

Recentemente foi noticiado em artigos publicados pelo O Globo e na Médium que o laboratório paranaense Prati-Donaduzzi, fabricante de genéricos em Toledo, se prepara para lançar em 2019 o medicamento Myalo, voltado para o tratamento da epilepsia refratária, doença que atinge cerca de 700 mil brasileiros.

O Fármaco, cujo princípio ativo é o canabidiol, foi desenvolvido em parceria com a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e entra agora na fase final de testes. O medicamento, sem similares nacionais e muito superior a variantes importadas hoje usadas no país, tem alto grau de pureza, com concentração de canabidiol equivalente a 99,5%.

Ainda em parceria com a equipe da USP de Ribeirão Preto, que estuda o uso terapêutico do canabidiol há mais de 30 anos, a Prati-Donaduzzi pesquisa, com o apoio da Finep, o desenvolvimento de uma fórmula utilizando canabidiol sintético, que possa substituir o uso da planta na obtenção do medicamento. Neste caso, a ideia é produzir uma nova fórmula para ser utilizada no tratamento de outras doenças. A opção sintética é uma prioridade na área da saúde, já que abrangeria um número maior de consumidores.

CALA BOCA SOCIAL

O que para os laboratórios podem significar mais acesso, na realidade pode não ser bem assim. Após divulgação do Myalo -medicamento da Prati, pacientes se mostram preocupados sobre as possibilidades de produtos como este e o Mevatyl da GW Pharma, já aprovado e comercializado a alto custo, seja a única opção disponível e que sirva apenas como um “cala boca” social, como opina Juliana Paolinelli em sua rede social.

“Muitos pacientes e seus familiares, preferem e encontram
os
resultados possíveis e desejáveis nos extratos/óleos
ricos em CBD com traços de THC”
Juliana Paolinelli – Paciente e
Vice Presidente da AMA+ME

Juliana Paolinelli sofre com dores crônicas, é paciente de maconha para fins terapêuticos, vice-presidente e coordenadora de acolhimento de pacientes de cannabis medicinal pela AMA+ME. Postagem já foi comentada e compartilhada várias vezes. Leia abaixo:

Pra pensar: “Um THC free, o CBD isolado, “vendido” como o melhor para epilepsia.

Existem resultados positivos com esse tipo de produto, certo. Entretanto, não pode ser a única opção disponível usada como um “cala boca” social.

Muitos pacientes e seus familiares, preferem e encontram os resultados possíveis e desejáveis nos extratos/óleos ricos em CBD com traços de THC: o famoso, querido e comprovado efeito comitiva.

Um produto não pode limitar as possibilidades terapêuticas da Cannabis a um CBD isolado ou sintético. Isso não atende a demanda de vários outros potenciais terapêuticos da Cannabis.

Não supre minha demanda por canabinoides e de milhares de nós, pacientes.

Queremos flores como opção de via de administração que é o que nos traz alívio imediato. Além do óleo de Cannabis integral. E queremos usar Cannabis nossa. Cultivada em solo brasileiro. De forma cooperativa, acessível, sustentável.

Fomentando a nossa economia, a agricultura familiar, a coletividade, o associativismo.

Nosso objetivo, é a democratização de acesso à todos que necessitem, incluindo todas as vias de administração possíveis.

O que a gente quer é mais simples que milhões de dólares em desenvolvimento e marketing de produtos.

É tão mais simples que complicam. Sempre complicam.

Não temos o poder de travar as investidas milionárias da indústria farmacêutica. Os lobbys são terrivelmente fortes. O dinheiro corrompe tudo.

Esperamos que a regulação avance, e que os pesquisadores, cientistas, médicos e tudo mais que envolve a ciência possa prosseguir legalmente no Brasil.

Mas como nenhum tipo de dor espera, vamos continuar na desobediência civil, empoderando os pacientes, a sociedade civil, as associações de pacientes, para alcançarmos nossos objetivos.

Acredito, sinceramente que, dentro do nosso contexto, nossa via deve ser judicial.

Não tem como negar o que já está acontecendo há anos. Não há como negar nosso ganho de qualidade de vida.

Saúde é direito pétreo constitucional.
Não vamos recuar ante nenhum pretexto.

Leia: Por que a maconha é criminalizada ainda em 2018 no Brasil?

Dor não espera

Conheça um pouco mais da história de Juliana Paolinelli,  contada por ela mesma em uma entrevista ao Estadão em 2015. Paolinelli conseguiu na justiça em 2014 o direito de importar o Sativex, mas devido ao alto custo e burocracia não obteve sucesso.

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