Canadá leva a fama, mas é nos EUA que o mercado da maconha avança

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A proibição federal nos EUA não é um problema para as empresas de maconha do país que avançam no setor, listando suas ações nas bolsas canadenses e no mercado de balcão americano. As informações são da Bloomberg, via UOL.

O Canadá tem um desafiante à altura como capital mundial das ações de empresas de maconha: o mercado de balcão dos EUA.

No principal mercado da OTC Markets Group, estão listados 136 instrumentos ligados ao produto. Nas bolsas canadenses, são 144.

A maconha é ilegal em nível federal nos EUA e, sendo assim, a Bolsa de Nova York (NYSE) e a Nasdaq só permitem listagem de empresas que não têm operações no país (há cinco produtoras canadenses listadas). No mercado de balcão de Nova York, as regras são menos rigorosas e permitem que empresas participantes de bolsas estrangeiras qualificadas negociem papéis sem registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (SEC). As taxas cobradas também são menores.

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“As bolsas têm muita aversão a risco. São instituições antigas e convencionais”, disse Jason Paltrowitz, responsável por serviços corporativos da OTC Markets. “Queremos ser o mercado dos empreendedores.”

A expansão do mercado de balcão no ramo da maconha tem a retaguarda de uma parceria com a bolsa Canadian Securities Exchange (CSE), apelidada de Cannabis Securities Exchange pelo acolhimento dado ao setor. A CSE antes era focada em mineradoras e empresas de energia menores, mas atualmente as ações de maconha representam um quarto dos 450 instrumentos listados. Desses, 116 são negociados no mercado de balcão, incluindo 13 ações de maconha na balada OTCQX.

“Para empresas cujo valor de mercado não chega aos bilhões, o benefício da listagem em bolsa é mínimo ou inexistente”, afirmou Paltrowitz.

As bolsas canadenses saíram na frente. Essas 144 companhias listadas por lá têm valor de mercado somado de 57 bilhões de dólares canadenses. As 136 companhias de maconha nos mercados de balcão valem US$ 16 bilhões.

Embora a listagem adicional na NYSE ou Nasdaq proporcione maior visibilidade do que em um mercado de balcão, isso também pode desviar volumes de negociação do mercado de origem. Por outro lado, um estudo encomendado pela OTC concluiu em 2017 que empresas listadas em bolsas canadenses registraram aumento de 35 por cento no volume diário médio no mercado original após a entrada na OTCQX.

Isso porque a estrutura do balcão permite que formadores de mercado executem ordens de investidores americanos no Canadá, o que significa que as transações são registradas na bolsa canadense, explicou Paltrowitz. Isso melhora a “qualidade geral do mercado”, de acordo com Richard Carleton, presidente da CSE.

Impulso no volume

“Entendemos pelos relatos, e agora empiricamente, que isso ajuda o volume”, disse Carleton. “Vemos spreads menores e a profundidade do mercado melhora, além do volume em cada nível do mercado.”

A listagem cruzada permite que empresas de maconha acessem investidores nos EUA, enquanto continuam captando nos mercados do Canadá. O país legalizou o uso recreativo da planta no mês passado e é líder em financiamento e transações comerciais no setor global de maconha. Isso ajuda no crescimento de empresas do ramo nos EUA, como a MedMen Enterprises, que não pode listar papéis na NYSE ou Nasdaq, mas tem instrumentos na CSE e na OTCQX.

A listagem na CSE proporciona acesso a capital logo no início de uma operação e traz investidores de alto conhecimento. Já a OTCQX “oferece diversos benefícios complementares, incluindo uma plataforma de negociação eficiente, maior liquidez e melhor acesso a uma base de investidores nos EUA que está em expansão”, afirmou a porta-voz da MedMen, Briana Chester.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) de uma flor de maconha e ao fundo, desfocado, as demais plantas de um cultivo e os funcionários vestidos com jalecos brancos e luvas azuis que trabalham com as flores de cannabis produzidas pela United Greeneries, no município de Duncan, em Oklahoma, nos EUA. Créditos da foto: Chad Hipolito – Canadian Press.

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