Aumentam os consumos e as mortes por overdose em Portugal

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Segundo novos relatórios do Instituto Nacional de Medicina Legal de Portugal, houve um aumento significativo no país do número de mortes por overdose de drogas ilícitas, com o álcool associado na maior parte dos casos. As informações são do DN.

Mais mortes associadas ao consumo de drogas e ao álcool, um agravamento no consumo de canábis na população em geral, mas particularmente nas mulheres entre os 25 e os 44 anos. Tendência que também foi registada no álcool com um aumento de consumos entre as mulheres e as faixas etária mais velhas.

Um dos destaques destes relatórios divulgados esta quarta-feira diz respeito à mortalidade associada aos consumos: Segundo os dados do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses referidos no documento a que o DN teve acesso, em 2017, dos 259 óbitos em que foram detetadas substâncias ilícitas 38 foram provocados por overdoses – mais 13 que em 2016.

Nas análises dos técnicos foram detetados opiáceos, cocaína e metadona e em cerca de 80% das mortes por overdose foram encontradas mais do que uma substância. Também se detetou a associação entre estupefacientes e álcool (37% das autópsias) e benzodiazepinas (32%).

Nas restantes 221 mortes em que se detetou a presença de droga, 38% foram de causa natural, acidente (33%), suicídio (23%) e homicídio (3%).

Estas são algumas das conclusões apresentadas nos relatórios sobre a situação do país no que diz respeito aos consumos, tendências e tratamentos de droga, toxicodependência e álcool que foram apresentados quarta-feira (30) no auditório Dr. Almeida Santos, na Assembleia da República pelos responsáveis do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Além dos aumentos de consumo referidos, os documentos acrescentam que também nos jovens de 18 anos se está a registar um aumento do acesso ao álcool e canábis. Outro ponto negativo passa pela diminuição das intervenções de prevenção, nomeadamente nos meios escolares.

Ainda no capítulo dos hábitos relacionados com consumo de droga e toxicodependência também se registrou um aumento de contraordenações: 12.232, ou seja mais 14% que em 2016. Este é o valor mais elevado desde 2001.

No documento é destacado o fato de o uso de canábis nas faixas etárias entre os 25 e os 44 anos estar a aumentar, ao ponto de os dados recolhidos para a elaboração dos relatórios mostrarem que 64% dos inquiridos assumiram ter consumido este estupefaciente quatro ou mais vezes por semana nos últimos 12 meses.

Com a divulgação destas análises fica-se ainda a saber que Portugal continua a estar abaixo da média europeia no que diz respeito à prevalência de canábis, cocaína e ecstasy, as três substâncias mais usadas no país. Em termos regionais, os Açores e a Madeira são as zonas onde se registrou uma maior preponderância de consumos recentes. Com o pormenor de, na regiões autônomas, estar a aumentar o consumo de cocaína e ecstasy na faixa etária entre os 15 e os 34 anos.

Leia: Portugal descriminalizou todas as drogas. O que aconteceu?

No que diz respeito ao número de pessoas que receberam tratamento no ano passado, o relatório sublinha que 27.150 pessoas foram atendidas em ambulatório na rede pública devido a problemas relacionados com o uso de drogas, tendo diminuído o número de primeiras consultas, mas aumentado o de readmissões, sendo a heroína o estupefaciente mais referido quando os usuários são atendidos.

Outro ponto que merece destaque é o fato de mais de metade da população entre os 15 e os 74 anos considerar que é fácil aceder a substâncias ilícitas num período de 24 horas, sendo os mais jovens os que mais garantem ter este fácil acesso.

Já quanto às rotas do tráfico, o documento não tem novidades: a cocaína chega a Portugal e à Europa vinda do Brasil, Paraguai e Chile, o haxixe tem origem em Marrocos. Portugal surge só como plataforma de exportação de ecstasy para o Brasil.

Mais jovens referenciados por causa do álcool

No que diz respeito ao consumo de álcool, o retrato apresentado, com base nos inquérito efetuados, mostra que 43% da população bebe diariamente e que aumentou a frequência de binge (consumo excessivo de forma rápida) o que é considerado um agravamento dos riscos e de entrar em dependência.

Os Açores têm os maiores índices de consumo de risco, binge e embriaguez do país quer na população geral, mais especificamente na faixa etária entre os 15 e os 34 anos.

No caso dos mais jovens, os dados recolhidos no inquérito aos participantes no Dia da Defesa Nacional mostram que uma grande maioria já tinha bebido até ficar embriagado no último ano. O álcool também tem levado a que mais jovens sejam referenciados pelas comissões de proteção de jovens, indica o relatório.

Devido a problemas relacionados com o álcool, 13.828 pessoas receberam tratamento no ano passado, tendo 3.352 iniciado essas consultas. Foram ainda internados 4.425 usuários com problemas de saúde relacionados com o consumo. De acordo com o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses dos 977 óbitos positivos para o álcool, 36% foram atribuídos a acidentes (incluindo de viação), 33% a morte natural, 17% a suicídio e 5% a intoxicação alcoólica.

Das 170 vítimas de acidentes de viação que tinham mais de 1,2 gramas de álcool, cerca de 80% eram condutores, 14% peões e os restantes passageiros. Estes dados mostram uma inversão da tendência de descida que se vinha detectando e são os valores mais elevados dos últimos cinco anos.

Quanto ao consumo, os dados do SICAD mostram que em média cada português com mais de 15 anos bebia 12,3 litros de álcool puro por ano, mantendo a redução quando comparado com 2010: 13,5. Continuam, no entanto, os consumos superiores de vinho em relação à média europeia, enquanto nas bebidas destiladas, Portugal está abaixo da média.

Já em termos de receitas, estima-se que o mercado de venda de bebidas alcoólicas em Portugal tenha rendido 209,4 milhões de euros em 2017.

A legalização da maconha pode reduzir e consumo de álcool e outras drogas

Nos EUA, a legalização da maconha vem proporcionando a diminuição do consumo de álcool e outras drogas como os opioides, responsáveis por 72 mil mortes em 2017. Estados com legislações pró-maconha vêm reduzindo esse número.

#PraCegoVer: fotografia (de capa) em vista superior diagonal de uma pequena colher, sobre uma superfície de cor bege e marrom, contendo heroína derretida e duas mãos (parte superior direita) que coletam a droga em uma seringa; próximo à colher, logo abaixo, pode-se ver um pouco da substância em pó (branco). Créditos da foto: Getty.

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