“Sou favorável a liberar qualquer droga”, diz Arnaldo Antunes

arnaldo antunes “Sou favorável a liberar qualquer droga”, diz Arnaldo Antunes

Preso em 1985 por porte de drogas, o ex-Titã Arnaldo Antunes declarou em entrevista durante o Festival Vida & Arte, em Fortaleza, ser a favor da liberação de qualquer droga. Saiba mais com as informações do portal O Povo Online.

Arnaldo Antunes esteve em Fortaleza para o Festival Vida&Arte 2018. Ele apresentou o show do seu mais recente disco RSTUVXZ, no Centro de Eventos do Ceará, no último dia 24. Em entrevista aberta no evento, falou sobre assuntos como descriminalização das drogas, intolerância e o disco Cabeça Dinossauro, lançado há mais de 30 anos.

Junto a Tony Belloto, companheiro de banda na época em que fazia parte do Titãs, Arnaldo foi preso, em 1985, por porte de drogas. Passou 26 dias em reclusão. Relembrando o episódio, afirma que “ser preso injustamente é uma coisa traumática” e que o disco Cabeça Dinossauro, lançado no ano seguinte, é uma discussão desse momento.

“Sofremos uma violência e isso de certa forma resultou nessa reflexão. Sou favorável a liberar e descriminalizar qualquer droga. O que as pessoas fazem com sua cabeça, com seu corpo, sua vida, é uma decisão de cada pessoa”, diz.

“É preciso informar os perigos e o que há de bom. As pessoas precisam saber que existem coisas boas e ruins, assim como existe a Coca Cola, o álcool. Coisas legalizadas. Isso deve deixar de ser uma deliberação do estado e passar para o ser humano”.

Ele destaca, contudo, que há risco no uso das drogas. “Algumas pessoas não podem tomar de jeito nenhum porque aquilo pode ser transformador para o bem e para o mal”.

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#PraCegoVer: fotografia da formação dos Titãs na época do lançamento do álbum “Cabeça Dinossauro”, posados em duas fileiras, a de cima formada por Nando Reis, Sérgio Britto, Arnaldo Antunes e Charles Gavin, e a de baixo por Marcelo Fromer, Branco Mello, Paulo Miklos e Toni Bellotto.

Cabeça Dinossauro

Terceiro álbum de estúdio dos Titãs, Cabeça Dinossauro completou, em junho último, 32 anos. Pautado no punk rock e no pós punk, o disco tem críticas diretas às grandes instituições da sociedade, a exemplo da Igreja e da família. Para o artista, é difícil comparar a época do lançamento com o atual momento.

“É outra época, mas tem uma atualidade. Foi importante para sua época com um discurso muito contundente contra muitas instituições”, lembra. “Continua valendo por muitos olhares, mas é um discurso daquele tempo. Não é meu único discurso contestatório. No meu disco anterior (Ja É, 2015), tem também um discurso contestatório”.

Arnaldo fala de “Óbitos”, sexta faixa do álbum Já É. “Eles não pegam em armas / Só em canetas e papéis / Mas matam mais com suas leis / Que atiradores cruéis”, diz a letra.

Ainda assim, conta Arnaldo, o tempo atual é também de intolerância. “Sempre achei que a internet seria muito libertadora, mas pelo contrário. Se tornou um veículo de muita intolerância. As pessoas se reunindo em gueto contra as outras. É um retrocesso”, lamenta. “Sempre é bom reafirmar a riqueza com a convivência. Riquezas são diferenças”.

#PraCegoVer: fotografia de capa em primeiro plano, branco e preto, de Arnaldo Antunes com mão na boca.

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