A longa batalha por canabidiol, um alívio para diversos males

anvisa libera importaca autoriza uso de maconha medicinal para tratar diversas patologias A longa batalha por canabidiol, um alívio para diversos males

Em artigo para o jornal O Globo, a jornalista Lu Lacerda retrata em primeira pessoa os percalços do longo caminho para se conseguir um tratamento à base de maconha no Brasil.

O canabidiol é uma das 113 substâncias encontradas na cannabis. Para tanta gente, porém, é como se fosse única no mundo, por aliviar a dor, suavizar o bruxismo, amenizar ataques epilépticos, diminuir sintomas do Parkinson, esclerose múltipla, psoríase, ansiedade e tantos outros males; para muitos, até vantagens desconhecidas.

Quem não conhece pode até julgar remédio de efeito incerto, mas quem precisa antevê uma nova chance de alívio. Você pode até comprar essa substância na ilegalidade, como muitos fazem; no entanto, se resolver fazer tudo dentro da lei, são inúmeras batalhas a vencer: primeiro, um médico que avalie o seu mal pra ver se pode ser incluído no que ele considera caso para uso da substância (você vai pagar uma consulta média de, pelo menos, R$ 800, tudo meio tradicional).

No meu caso, foi o neurologista Eduardo Faveret, do Instituto Estadual do Cérebro (IEC), com consultório na Rua Jardim Botânico (onde, em algum tempo de espera, ouvem-se as mais impressionantes histórias, principalmente as de crianças de epilepsia sob controle). Passada essa avaliação, tendo sido aprovado, o segundo passo é aguardar o julgamento do “tribunal silencioso” chamado Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Para isso, vai preencher questionários intermináveis (apesar de todos saberem que o produto é absolutamente livre do THC, a substância que daria onda) — mais o cliente do que o médico —, atestando a sua necessidade, personalizando suas aflições. Depois de enviados os documentos para a Anvisa, em uma semana, terá uma resposta: se positiva, está legalizado por um ano.

O próximo capítulo é importar o produto, já que os médicos esclarecem, de saída, que o canabidiol produzido no Brasil não se compara ao americano, ou melhor, não “chega aos pés”. Essa parte não é dita de maneira declarada, de jeito nenhum (quase tão disfarçada quanto a franqueza de alguns usuários). Depois de tudo, você vai deparar com outro fator importante, que é o preço do produto: três vidrinhos custam, em valores atuais, 626 dólares (mais ou menos R$ 2.425), devendo durar um mês (dependendo da dose, pode chegar a dois).

Em alguns casos, como o meu, o primeiro óleo (Real Scientific Hemp Oil) não é o ideal; teria de importar um outro e, talvez, um terceiro, até “encontrar o óleo e a proporção certos”, disse o médico, lembrando que o Canadá está investindo no assunto e acaba de lançar um tipo para insônia. Quanto a mim, depois de descobrir o neurologista, de fazer esse passo a passo, de imaginar ter finalmente descoberto um caminho, nada disso aconteceu.

Tema de seminário

Até ser feita alguma coisa no Brasil, eu e o bruxismo continuamos num relacionamento intenso e nos encontramos todas as noites. Sempre suplico: “Não durma comigo hoje, preciso de uma pausa!”. Mas ele sempre aparece: é insubmisso e incontrolável. É um casamento sem lua de mel. No seu rastro, antes de partir, deixa as dores a cada manhã, o medo que fica para o próximo encontro, e não adianta tentar desmarcar — com remédios ou terapias tradicionais, seu retorno é certo. Incerto é saber quando muitos brasileiros vão poder suavizar sofrimentos que dependam de investimento no estudo e na produção do canabidiol. Nenhum psiquiatra ou psicanalista carioca tem uma resposta pra isso, apesar de vários deles estarem cada vez mais bem informados sobre o tema.

Esses assuntos foram debatidos nos dias 18 e 19 no Museu do Amanhã, durante o primeiro seminário internacional sobre a maconha medicinal. Os que dependem desse remédio para viver certamente esperam que esse tipo de encontro diminua, principalmente, o preconceito, a via-crúcis para obtê-lo e, sobretudo, que abra os olhos dos governantes.

#PraCegoVer: fotografia de um conta-gotas sobre um frasco e um fundo desfocado de plantas de maconha.

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